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Gastronomia

Um amor em forma de sushi

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O prato da gastronomia japonesa uniu o casal Marcelo e Ana Lígia

O sushi foi o elo de ligação do casal Marcelo e Ana Lígia |Foto: Michelle Ariany

Marcelo de Araújo Figueiredo e Ana Lígia Maria da Silva se conheceram há anos, da convivência estritamente profissional surgiu uma afetividade e não demorou muito para o amor acontecer. E esse sentimento tem relação direta com a gastronomia, especificamente a culinária japonesa e um prato que virou queridinho dos brasileiros: o sushi.

Ele já num cargo de gestão num restaurante, um dos pioneiros da comida japonesa em Natal; ela, vendedora de um dos fornecedores desse restaurante. A presença constante de Ana Ligia fez eles se aproximarem, ele que já havia aprendido o ofício no preparo dos pratos japoneses e ela que amava cozinhar e quis aprender algo novo foi o primeiro passo para essa história de amor.

Casamento na vida e nos negócios

Depois de um tempo, já em outros empregos. Marcelo nutria a vontade de empreender e de quebra estar próximo da sua companheira, foi aí que a sociedade surgiu para além da vida pessoal. Ela, que havia aprendido tempos atrás a arte da gastronomia japonesa, passou a fazer do que antes era uma curiosidade e hobby, um ofício e um novo caminho na vida profissional e de sua família. Ele, de gestor de grandes restaurantes, à administrador de seu próprio negócio e com sua parceira.

Marcelo e Ana Lígia admiração mútua | Foto: Michelle Ariany

Na ausência de opções diversificadas no ramo alimentício na cidade de Parnamirim, Marcelo teve a ideia de abrir um restaurante japonês na cidade. Ana Lígia conta que, a princípio, não teve medo da empreitada não se sustentar, mas de não conseguir colocar em prática novamente o que havia aprendido há mais de um ano. Entretanto, o controle emocional e a determinação de ambos foram elementos fundamentais para alicerçar o que hoje é o maior restaurante japonês de Parnamirim. 

“Onde ela coloca a mão a comida fica boa. Aí eu só fiz juntar, pensei em fazer um restaurante de comida normal, mas quando surgiu a questão do Tmaky ela aprendeu e depois de mais de um ano parada, nós resolvemos fazer”, explicou Marcelo.

Inauguração e reinauguração

A noite de 10 de outubro de 2014 foi o divisor de águas que mudou completamente a vida de Ana e Marcelo: o dia da inauguração do Tmakymono. Bons empreendedores, como são, escolheram a noite da festa mais movimentada da cidade, na época, a Festa do Boi. O grande movimento de pessoas vindas até mesmo de cidades vizinhas fez do primeiro dia um sucesso, marcado pela independência de Ana Lígia. Marcelo havia contratado outro profissional para auxiliá-la na cozinha, experiência que, ao final do expediente, já não se faria necessária do segundo dia em diante. 

Ana Lígia no início das atividades no bairro de Monte Castelo em Parnamirim/RN |
Foto: Acervo pessoal Tmakymono

O tempero, o cuidado com a preparação e a dedicação de Ana conquistaram o gosto dos clientes fiéis, que acompanharam o surgimento do empreendimento e que hoje são amigos da família. O caminho percorrido pelo restaurante passou pelos bairros do Centro, ao lado da Igreja Matriz; por Monte Castelo, com espaço para apenas 14 pessoas. Com quase dois anos de inauguração, no dia 07 de setembro de 2016, o Tmakymono assumiu um novo endereço em um dos bairros mais cobiçados de Parnamirim: a Cohabinal. O restaurante arrastou consigo a fidelidade dos que aplaudiram de pé a reinauguração, e conquistou novos amantes e descobridores da culinária japonesa. 

Antigo ponto no Centro de Parnamirim | Foto: Acervo pessoal Tmakymono

Hoje, quem passa pela rua Presidente Castelo Branco tem seu olhar atraído pelo espaço que faz os olhos brilharem. A placa posta na vertical convida o cliente a passar pelo corredor florido e arborizado sentindo-se em um almoço de cinema, e a fachada fica mais linda ainda ao anoitecer. Com espaço amplo, o restaurante conta com uma brinquedoteca, para os papais de plantão; uma cozinha industrial e muitas mesas, bem diferente de quando tudo começou. O espaço é dividido em dois andares, onde a parte externa convida para um jantar à luz das estrelas. 

“Sou eu quem decoro o restaurante, todo ano eu invento uma coisa. Fiz uma homenagem pra ela ali na parede com um pintor”, complementou, orgulhoso.

Tempero Tmakymono

É claro que um espaço tão lindo proporciona uma experiência visual incrível, mas, venhamos e convenhamos, quem vai a um restaurante quer agradar um dos sentidos mais fortes do organismo: o paladar. Na mesa, os instintos naturais instigados pelo desejo de saciar a fome tomam conta do corpo. É quase automático fechar os olhos e apreciar o cheiro convidativo que vem da cozinha. Dá vontade de pedir o cardápio inteiro! E por falar em cardápio, este é de uma variedade incomparável. São oito tipos de entradas, cinco opções de yakisoba e mais de 30 opções de sushis. Além disso, o restaurante também oferece combos de até 40 peças, todas escolhidas pelos próprios clientes. O cardápio também conta com sobremesas que incluem sushis doces, e um leque de bebidas para todos os gostos.

Cozinha funciona em ritmo frenético atendendo aos clientes na loja física e aos pedidos realizados no formato delivery | Foto: Michelle Ariany
O humorista Tirullipa em visita ao Tmakymono |
Foto: Reprodução Instagram

O produto final que chega à mesa do consumidor tem uma trajetória de muito cuidado. Todos os ingredientes são de qualidade, frutos de um relacionamento longo com fornecedores de confiança. Todos os preparos são feitos na hora e o pedido é entregue fresquinho. Qualidade e compromisso com o cliente são características da casa que atraem grandes personalidades de influência, como o humorista Tirullipa, que já frequentou o restaurante. A inovação, a paixão pelo que faz e a entrega dos donos é outro fator cativante. 

“Os clientes conhecem o meu tempero, a minha mão. O arroz que eu pedi para eles desligarem ali foi eu quem fiz, eles só foram desligar, justamente pra não mudar a receita que quem come aqui já está acostumado”, justificou Ana Lígia, lembrando o alarme que havia soado, anunciando que o arroz estava pronto.

Marcelo, que no começo de tudo foi o primeiro entregador do Tmakymono, não esqueceu suas raízes e não desmerece cada uma das funções necessárias para o bom funcionamento do local. Ele recepciona e conversa, de mesa em mesa, com cada um dos clientes; é garçom, auxiliar de cozinha, auxiliar de serviços gerais e assume a louça suja quando é dia de lotação. O respeito e a dedicação só provam o caráter de quem também é o administrador financeiro do negócio. 

E para dar conta dos dias de movimento intenso, eles contam com a ajuda de muita gente: são três pessoas para atender e entregar aos pedidos; três motoboys para o serviço de delivery; e na cozinha mais quatro pessoas, entre auxiliares e sushimen, comandados por Ana Lígia, a sushiwoman. Na cozinha nunca faltou respeito dos homens com o fato de serem liderados por uma mulher, em um universo ainda tão machista. Mas alguns clientes ainda custam a acreditar que todo aquele preparo passou por suas mãos. 

“Recentemente, inclusive, ia ter um evento e Marcelo avisou que já tinha um marcado e avisou que eu iria no lugar dele, mas não me aceitaram porque eu era mulher”, comentou Ana. Mal sabiam os contratantes, que a maior parte do trabalho minucioso dos sushis vem dela.

Além do serviço presencial, o Tmakymono também vai até o cliente. Mais uma das inovações do restaurante, a plataforma para os pedidos de delivery foi criada com exclusividade, diferente de tudo o que é disponibilizado na cidade. Através dela, é possível fazer o pedido com a comodidade do próprio lar e a exclusividade Tmakymono. O cliente pode montar o próprio combo, escolhendo a forma de pagamento que mais agradar. Outro serviço disponibilizado é o menu para eventos. Empresas ou particulares podem contratar o Tmaky para um jantar exclusivo para seus convidados. Marcelo ou Ana lideram uma equipe e levam o sabor da culinária japonesa para fora da casa. 

Empreendimento de sucesso

É de se imaginar que a estabilidade no mercado foi alcançada graças ao esforço e dedicação no trabalho árduo de manter uma cozinha marcada por detalhes. O resultado não poderia ser outro: uma jornada de sucesso! Ano após ano o Tmakymono aumenta seu leque de inovações. Por dia, a cozinha recebe, em média, 80 pedidos. Nos dias mais movimentados o número ultrapassa a marca dos 120 pedidos, podendo alcançar até 200 combos. 

Em meio ao cenário da pandemia, enquanto pequenos e grandes restaurantes precisaram demitir funcionários ou, até mesmo, fechar as portas, o Tmakymono ultrapassou o lucro do ano de 2019, nos dois semestres. As entregas à domicílio e a retirada na loja, nunca foram tantas, provando que o restaurante tem um público fiel, e mais, que o preço pago pelo produto cabe no bolso. 

“Eu determinei um valor que eu queria faturar por dia e que não ia mexer com ninguém, assim eu tinha certeza que quando chegasse o final do mês ia dar pra pagar o salário de todo mundo sem mexer com ninguém, mesmo trabalhando menos ninguém ia perder o emprego”, finalizou, Marcelo. 

Um olhar no futuro

Os planos para o futuro do Tmakymono são regados à gratidão pelo empenho e esforço daqueles que são mais que funcionários, mas parte da família. Certa vez, Marcelo foi questionado sobre abrir novas filiais na capital, Natal, e na região metropolitana do estado, mas a sua ideia vai além disso: a intenção é dividir o restaurante com a equipe, para que cada um administre da melhor forma possível. 

Quanto às mãos de fada de Ana Lígia: receberiam o merecido descanso após os longos anos de dedicação ao trabalho árduo e minucioso, que é a arte de fazer sushi. Carinhoso, Marcelo quer que a amada conquiste sua aposentadoria em breve para que descanse e aproveite melhor os frutos que plantaram e hoje estão colhendo. Sinônimos de amor, carinho e respeito, Ana e Marcelo são o complemento um do outro. Um grande exemplo de que com confiança, dedicação e companheirismo. Juntos, eles vão longe: até o Japão! 

Restaurante fica localizado no bairro Cohabinal em Parnamirim | Foto: Michelle Ariany

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