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MARÇO TERMINA… MAS O GRITO DAS MULHERES NÃO PODE SER SILENCIADO

Publicado

Mulheres unidas em manifestação por direitos — símbolo de resistência, força e empoderamento feminino.

Entre homenagens e uma dura realidade

Março chega ao fim.

Um mês tradicionalmente marcado por flores, homenagens e discursos em torno do Dia Internacional da Mulher. Um período em que a sociedade volta os olhos para a importância da mulher, para suas conquistas e para a luta histórica por igualdade.

Mas março também nos convidou — ou melhor, nos obrigou — a encarar uma realidade dura, incômoda e impossível de ignorar!

Enquanto muitos celebravam, seis mulheres foram arrancadas da vida, vítimas de feminicídio por dia.

S

E

I

S

À primeira vista, pode parecer apenas um número em uma estatística…

Mas não são números.

São SEIS…

… Nomes que viraram silêncio.
Histórias interrompidas antes do tempo.
… Sonhos que não terão amanhã.

Cada uma dessas mulheres tinha uma trajetória, uma família, um futuro em construção. Cada feminicídio deixa para trás não apenas dor — deixa também uma pergunta inquietante para toda a sociedade.

Por que ainda não conseguimos proteger nossas mulheres?

Quando a violência tem gênero

No Brasil, avanços importantes foram conquistados nas últimas décadas no enfrentamento à violência contra a mulher.

Um dos marcos foi a criação da Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, que reconhece o assassinato de mulheres por razões de gênero como uma forma qualificada de homicídio.

A legislação representou uma mudança significativa na forma como o sistema jurídico brasileiro enxerga esses crimes.

Durante muito tempo, assassinatos de mulheres foram tratados como “crimes passionais”, expressão que romantizava a violência e ocultava sua verdadeira natureza.

Ao reconhecer o feminicídio como crime específico, o Estado brasileiro afirmou algo fundamental: a violência contra mulheres não pode ser naturalizada.

Outro instrumento essencial nessa luta é a Lei Maria da Penha, considerada uma das legislações mais avançadas do mundo no combate à violência doméstica.

Ela ampliou mecanismos de proteção, criou medidas protetivas de urgência e fortaleceu a responsabilização de agressores.

Mas há uma verdade que precisa ser dita com franqueza.

A lei, sozinha, não grita.

A lei, sozinha, não denuncia.
A lei, sozinha, não rompe o ciclo da violência.

A lei, sozinha.

A lei.

O silêncio que também mata

A violência contra a mulher muitas vezes cresce dentro do silêncio.

Silêncio dentro das casas.
Silêncio dentro de relações abusivas.
Silêncio alimentado pelo medo, pela dependência emocional, pela vergonha ou pela falta de informação.

E quando a informação não chega, o direito permanece distante.

Muitas mulheres ainda desconhecem ferramentas básicas de proteção: medidas protetivas, canais de denúncia, serviços de apoio e mecanismos jurídicos disponíveis.

Sem informação, a lei se torna inacessível.

Sem informação, direitos permanecem invisíveis.

Por isso, falar sobre direitos não é apenas um exercício jurídico.
É um ato de cidadania.

Informação também salva vidas

Conhecer a lei não significa apenas entender regras.

Significa reconhecer limites.
Significa identificar sinais de violência.
Significa saber que existe ajuda.

Quando uma mulher compreende seus direitos, algo poderoso acontece.

Ela entende que a violência não é culpa dela.
Ela descobre que pode denunciar.
Ela percebe que não está sozinha.

E muitas vezes esse conhecimento representa o primeiro passo para mudar uma história.

A escritora e ativista Simone de Beauvoir certa vez afirmou:

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

Essa frase ecoa com força quando falamos da autonomia feminina.
Porque liberdade também passa pelo acesso à informação.

Março termina, mas o alerta permanece

Ao final deste mês simbólico, fica uma pergunta que precisa ecoar na consciência coletiva:

Quantas vozes ainda precisarão ser caladas para que a sociedade desperte?

Março não pode ser lembrado apenas pelas flores entregues.

Precisa ser lembrado pela urgência de proteger, orientar e fortalecer mulheres todos os dias.

Porque a luta pelos direitos das mulheres não termina quando o calendário muda.

Ela continua nas políticas públicas.
Continua na educação.
Continua na informação.

E continua na coragem de quem decide transformar a palavra em instrumento de mudança.

Que março não seja um ponto final.

Que seja um chamado.

Um chamado à consciência.
Um chamado à justiça.
Um chamado à mudança.

Porque existe uma verdade simples — e poderosa:

MULHER BEM INFORMADA É MULHER EMPODERADA.

E mulher empoderada não aceita violência.
Não se cala diante da injustiça.
Não caminha sozinha.

Sobre a autora

Débora Souza é advogada, escritora e cordelista potiguar. Entre o Direito e o cordel, transformou a palavra em instrumento de denúncia, memória e resistência feminina.

Defensora ativa dos direitos das mulheres, utiliza a literatura popular como linguagem acessível para romper silêncios, revelar violências invisibilizadas e fortalecer o protagonismo feminino.

É empresária socialpresidente e fundadora do Instituto Mais Mulher, iniciativa voltada ao fortalecimento, acolhimento e promoção de direitos das mulheres.

Também atua como defensora popular, dedicada à orientação e ao apoio de mulheres em situação de vulnerabilidade.

É diretora da CDL Mulher Parnamirim e líder do Comitê de Combate e Enfrentamento à Violência contra a Mulher do Grupo Mulheres do Brasil – núcleo Natal, onde participa da articulação de iniciativas voltadas à prevenção da violência e ao fortalecimento feminino.

Acredita que informação, arte e justiça podem caminhar juntas como instrumentos de transformação social.

Assina seus trabalhos como
Débora Souza | A Dra. Poetisa

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Porque mulher bem informada é mulher empoderada. Porque mulher bem informada é mulher empoderada. 

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