Sociedade
Lugar de mulher é na mina: contratações no setor mineral cresceram 41% no Brasil
O país ocupa o 10º lugar do ranking global do WIM, e diversos exemplos comprovam que o protagonismo feminino é a nova força motriz da mineração brasileira

FOTO: Divulgação
A mineração brasileira passa por um período de transformação, deixando para trás o modelo tradicional de força bruta por operações impulsionadas pela inovação tecnológica. É o que mostra o relatório Women In Mining Brasil 2025 (WIM Brasil). Segundo o documento, a contratação de mulheres saltou de 37% em 2024 para 41% em 2025, um crescimento atribuído à evolução das políticas afirmativas e à percepção de que a diversidade é um pilar estratégico para a sustentabilidade e a competitividade do setor no cenário global.
Ainda de acordo com o levantamento, as mulheres ocupam 22% dos postos de trabalho na mineração nacional, e a alta no índice de contratações posiciona o Brasil no 10º lugar do ranking global.
De norte a sul do país, diversos cases de sucesso refletem a força de um ambiente de trabalho mais inclusivo. Em Currais Novos (RN), município com pouco mais de 41 mil habitantes, a chegada da Aura Borborema não trouxe apenas investimentos ao município, mas a chance de reescrever histórias de vida. Um desses exemplos é Jéssica Batista da Silva, 33 anos, que trocou a profissão de condutora de trator, em uma fazenda, pela de operadora da área de filtragem após participar de um curso de formação técnica na Escola de Operadores da unidade de Borborema.
Moradora da zona rural da cidade de São Vicente, Jéssica conta que todos os dias saía de casa por volta das 17h para fazer o curso e retornava depois da meia-noite. Após três meses de uma jornada intensa conciliando a formação técnica e a família, ela foi contratada pela operação de Borborema. “Após concluir a Escola de Operadores, participei de um treinamento prático de duas semanas na operação de Almas, no Tocantins. Pude vivenciar a operação de perto e me preparar para iniciar as atividades em Borborema.”
Há um ano trabalhando na unidade, Jéssica comemora uma conquista marcante: foi a única mulher da sua turma do curso promovida a operadora nível 2 de filtros prensa. “Já cheguei a passar quatro dias distante dos meus filhos. Tive momentos que pensei em desistir, principalmente pelo cansaço e a distância deles, mas decidi focar no meu objetivo e seguir em frente”, afirma Jéssica.
Com um quadro de 120 mulheres, composto por 54 colaboradoras da Aura e 66 terceirizadas, a unidade de Borborema consolida a presença feminina desde as áreas administrativas até a operação direta – onde atuam 12 profissionais. No nível estratégico, a unidade tem com Fernanda Luisa de Matos Ribeiro Pinto na Gerência de GAF e Fernanda Silva Duque na Gerência de Mina, reforçando o avanço das mulheres em posições de liderança.
“Os resultados vão além do treinamento técnico; eles fortalecem a diversidade e consolidam a Aura como um agente de desenvolvimento social”, pontua Isabela França Dumont, Diretora de Pessoas e Cultura da companhia.
Para a executiva, essas iniciativas de formação técnica de mulheres favorecem o avanço da diversidade no setor, demonstram que o talento não tem gênero e que o lugar da mulher é em toda a nossa operação.
“Na Aura, a atuação feminina não se limita aos escritórios, elas estão em toda a nossa cadeia produtiva. Temos um orgulho imenso de ver nossas colaboradoras assumindo o comando de caminhões fora de estrada, operando equipamentos de subsolo ou liderando o monitoramento e a segurança de barragens. Isso prova que superamos, em definitivo, o antigo modelo da força bruta. Como signatários do WIM, reafirmamos o compromisso de construir uma mineração moderna, onde a competência técnica e o olhar analítico feminino são pilares fundamentais para a nossa eficiência e sustentabilidade”, concluiu.
Sobre a Aura
A Aura é uma empresa focada no desenvolvimento e operação de projetos de ouro e metais básicos nas Américas. A Companhia possui seis minas em operação, incluindo a mina de ouro Minosa, em Honduras, as minas de ouro Apoena, Almas, Borborema e Mineração Serra Grande no Brasil, e a mina de cobre-ouro-prata Aranzazu no México. Além disso, a Companhia possui Era Dorada, um projeto de ouro na Guatemala; e três projetos no Brasil: Matupá, que está em desenvolvimento; São Francisco, que está em cuidado e manutenção; e o projeto de cobre Carajás na região de Carajás, na fase de exploração.
