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Economia

Imposto de Renda 2026: fiscalização digital avança e especialistas alertam para novo perfil de risco do contribuinte

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FOTO: Divulgação

As mudanças recentes no Imposto de Renda estão transformando de forma silenciosa a relação entre o contribuinte e o Fisco. A partir de 2026, as alterações vão além do debate sobre faixas de isenção e alíquotas, que agora beneficia milhões com a isenção para rendas de até R$ 5 mil mensais e a redução do imposto para aqueles que ganham entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350. Porém, especialistas apontam que outra grande transformação está no avanço do cruzamento eletrônico de dados — e seus efeitos já atingem milhões de brasileiros.

Segundo o advogado Jeoás Santos, o sistema tributário brasileiro entrou em uma fase de fiscalização baseada em inteligência de dados, na qual a conferência automática de informações passou a ter papel central, paralelamente à implementação das novas regras de tributação.

“A Receita deixou de atuar apenas de forma reativa. Hoje existe um ecossistema de informações compartilhadas entre instituições financeiras, plataformas digitais e órgãos reguladores. Se a movimentação passou pelo sistema financeiro formal, a probabilidade de ela ser conhecida pelo Fisco é alta. O foco agora é a compatibilidade entre o que circula financeiramente e o que é declarado”, afirma.

Entre 2023 e 2025, o que se observa não é apenas alteração de tabela, mas o fortalecimento de mecanismos de rastreamento de rendimentos, inclusive em operações digitais, ativos no exterior e criptoativos. A tendência é de continuidade desse modelo nos próximos anos, especialmente com a nova tributação de altas rendas e dividendos acima de R$ 50 mil mensais, que exigirão um monitoramento ainda mais rigoroso por parte do Fisco.

Perfis sob maior risco

De acordo com o advogado, o novo cenário afeta especialmente profissionais liberais, autônomos, pequenos empresários, MEIs e pessoas que recebem por Pix ou por plataformas digitais. Com a nova faixa de isenção de R$ 5 mil e a redução gradual para rendas até R$ 7.350, muitos contribuintes podem ter a falsa impressão de que estão completamente livres da malha fina, o que não é verdade .

“Quem mistura conta pessoal com profissional, omite rendimentos pequenos e frequentes ou acredita que valores baixos não chamam atenção está mais exposto. O sistema atual identifica padrões e inconsistências. A Receita trabalha com análises de compatibilidade entre renda declarada e movimentação financeira”, explica.

Investidores em ações, fundos imobiliários, criptoativos e aplicações no exterior também exigem atenção redobrada. A nova regra que cria o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM) para rendas anuais superiores a R$ 600 mil e a tributação de dividendos elevados aumentam a verificação sobre esses perfis. Ganhos de capital mal apurados, aluguéis informais e rendimentos obtidos por aplicativos de transporte e entrega estão entre as situações que mais geram questionamentos fiscais.

Declaração pré-preenchida exige conferência

Outro ponto de alerta é a confiança excessiva na declaração pré-preenchida. Embora a ferramenta facilite o preenchimento, ela não substitui a responsabilidade do contribuinte, especialmente num ano de transição como 2026, em que as regras de isenção e redução podem gerar confusão na hora de declarar os rendimentos de todo o ano-calendário.

“A declaração pré-preenchida é um auxílio, não uma blindagem. Se houver erro, omissão ou dado incompleto, a responsabilidade continua sendo do contribuinte. Muitos casos de malha fina surgem justamente da falta de conferência”, diz Jeoás.

Práticas comuns que agora geram penalidades

Situações antes tratadas com informalidade passaram a resultar em multas e autuações, como emprestar conta bancária, ignorar o carnê-leão, declarar renda incompatível com a movimentação financeira ou deixar de informar ganhos recorrentes. Além disso, contribuintes com mais de uma fonte de renda precisam redobrar a atenção: mesmo que cada renda isoladamente esteja abaixo de R$ 5 mil, a soma pode ultrapassar o limite e gerar imposto a pagar na declaração anual.

As consequências podem incluir multa, juros, retenção em malha fina e autos de infração retroativos de até cinco anos.

“O contribuinte precisa entender que o sistema evoluiu. A fiscalização hoje é preventiva, digital e baseada em dados. Organização financeira e transparência deixaram de ser opcionais — são medidas de proteção”, conclui o advogado.

Sobre o especialista

Jeoás Nascimento dos Santos é advogado, pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil e em Segurança Pública, com atuação no Rio Grande do Norte e na Bahia. Atua de forma consultiva e preventiva, além de ser palestrante e colaborador de veículos de comunicação.

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