Saúde
Calor intenso pode provocar quedas e picos de pressão

FOTO: Marta Branco
Com o aumento da sensação térmica, os casos de insolação e alterações na pressão arterial tendem a aumentar, exigindo atenção redobrada da população, especialmente entre pessoas com comorbidades. Segundo Sylton Mello, cardiologista e professor de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, Ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, assim como as baixas temperaturas, o calor intenso interfere diretamente no funcionamento do sistema cardiovascular e pode provocar tanto queda quanto elevação da pressão arterial.
Isso acontece porque o corpo reage ao calor tentando manter a temperatura interna estável. “Quando estamos expostos ao calor, ocorre a dilatação dos vasos sanguíneos para facilitar a perda de calor pela pele. Esse mecanismo pode levar à queda da pressão arterial, causando tontura, fraqueza e até desmaios, sobretudo em pessoas desidratadas ou com doenças pré-existentes”, detalha.
A pressão arterial baixa, chamada de hipotensão, é geralmente considerada quando os valores estão abaixo de 90 por 60 mmHg. “No calor, a perda excessiva de líquidos e sais minerais reduz o volume de sangue circulante, o que favorece a queda da pressão, principalmente em idosos, diabéticos, pacientes renais e cardiopatas”, alerta.
Por outro lado, o calor também pode contribuir para a elevação da pressão arterial. A ciência explica que o estresse térmico aumenta a frequência cardíaca e pode desencadear picos de pressão, sobretudo em pessoas hipertensas ou com outras comorbidades. A pressão alta é caracterizada por valores iguais ou acima de 140 por 90 mmHg, enquanto o valor considerado ideal é em torno de 120 por 80 mmHg.
Em caso de queda ou pico de pressão, o médico orienta medidas imediatas. “Ao sentir tontura, mal-estar ou sensação de desmaio, a pessoa deve deitar-se em local fresco e, se possível, elevar as pernas para facilitar o retorno do sangue ao coração. Já em picos de pressão acompanhados de dor no peito, falta de ar, confusão mental ou dor de cabeça intensa, o atendimento médico deve ser procurado imediatamente”, ressalta o especialista.
Sylton também reforça que a insolação pode agravar essas alterações, causando desregulação térmica e comprometendo a circulação. “A insolação é uma condição grave e pode potencializar tanto quadros de hipotensão quanto crises hipertensivas, principalmente em quem já convive com doenças crônicas”, afirma o cardiologista.
Prevenção
Como forma de prevenção, o especialista destaca a importância da hidratação adequada, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h, usar roupas leves, manter os medicamentos em dia e não suspender o tratamento sem orientação médica.
“Outro ponto fundamental é estar com o check-up cardiológico em dia, que deve ser realizado pelo menos uma vez por ano, especialmente por quem tem histórico de pressão alta, baixa ou outras comorbidades. Cuidar da saúde do coração é essencial para atravessar períodos de calor com mais segurança. O calor não é apenas desconforto, ele pode representar um risco real à saúde cardiovascular”, acrescenta o docente da UnP/Inspirali.
