Saúde
DEZEMBRO VERMELHO: Especialista explica sobre os tratamentos para pessoas com HIV/Aids e destaca avanços profiláticos

FOTO: Darina Belonogova
O tratamento do HIV passou por transformações significativas nas últimas décadas, tornando-se mais eficaz, seguro e acessível. Hoje, pessoas vivendo com o Vírus da Imunodeficiência Humana podem alcançar qualidade de vida semelhante à de quem não possui o vírus, desde que sigam corretamente o acompanhamento médico.
Neste Dezembro Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre o HIV/AIDS e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), o infectologista Igor Queiroz, que também é professor do curso de Medicina da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, Ecossistema que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, explica como funcionam os tratamentos disponíveis e quais são as principais estratégias de prevenção.
Segundo o docente, o grande marco do cuidado atual é a terapia antirretroviral moderna. “Os tratamentos de hoje são muito mais potentes, têm menos efeitos colaterais e permitem que o paciente mantenha a carga viral indetectável. Quando isso acontece, além de preservar a saúde da pessoa, também impede a transmissão do HIV para parceiros sexuais, no princípio conhecido como I=I: indetectável é igual a intransmissível”, explica.
O esquema terapêutico mais utilizado no Brasil é composto por comprimidos de dose única diária, o que facilita a adesão. “A maioria dos pacientes inicia o tratamento com uma combinação de três medicamentos em um único comprimido. É uma terapia simples e altamente eficaz, garantindo controle da doença e expectativa de vida plena”, detalha o especialista.
Igor Queiroz reforça ainda que novos antirretrovirais injetáveis, aplicados mensal ou bimestralmente, já estão em uso no mundo e representam um avanço promissor. “Essas terapias de longa ação são o futuro do tratamento e devem ampliar ainda mais a adesão”, completa.
Estratégias profiláticas
Além dos tratamentos para pessoas que já vivem com HIV, o infectologista destaca a importância das estratégias profiláticas, fundamentais para reduzir novas infecções. A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), um comprimido tomado diariamente ou em esquema sob demanda, é indicada para pessoas que têm maior risco de exposição ao vírus. Já a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) deve ser iniciada até 72 horas após uma situação de risco.
Ele ressalta, no entanto, que nenhuma medida isolada oferece proteção total. “Tanto a PrEP quanto a PEP são ferramentas essenciais de prevenção. Quando utilizadas corretamente, reduzem drasticamente a chance de infecção pelo HIV. Mas é importante reforçar que elas não substituem o uso de preservativos, que continuam sendo indispensáveis na prevenção de outras ISTs”, afirma o docente da UnP/Inspirali.
O diagnóstico precoce continua sendo uma das etapas mais importantes do cuidado. Testes rápidos estão disponíveis em unidades de saúde e permitem iniciar o tratamento imediatamente. “Hoje, viver com HIV não significa adoecer. Significa apenas conviver com uma condição crônica que pode ser totalmente controlada. O maior desafio ainda é combater o estigma e incentivar a testagem”, conclui.
