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Educação

Produção literária promove discussões sociais

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Ao longo de todo o ano, os alunos da Casa Escola se envolveram na elaboração de textos e o resultado trouxe reflexões sobre temas contemporâneos

Capa do livro “Histórias Guardadas em Segredos”, do 5º ano

Promover o acesso à leitura e à escrita, além de fomentar o interesse de crianças e adolescentes pelo universo da literatura transformam o futuro da sociedade. Incentivados desde pequenos, podem tornar a leitura e a escrita uma prática prazerosa e, para além disso, refletir desde a infância sobre as questões que envolvem a sociedade em que vivem, tornando-se cidadãos bem mais conscientes.

De acordo com a revista acadêmica Trends In Cognitive Sciences, a leitura pode ajudar a entender os sentimentos e opiniões dos outros e, além disso, também promove mudanças internas, já que nos envolvemos com as narrativas e personagens das histórias lidas. Por isso, as escolas têm investido mais no incentivo à produção de leitura e escrita.

Em Natal, a Casa Escola promove todos os anos – junto à equipe escolar, alunos e familiares – o lançamento das produções textuais dos estudantes. Ao longo do período letivo, os alunos se empenham em escrever suas histórias e, ao final do processo, cada turma produz um livro com contos e crônicas. As turmas do 1º ao 9º ano criaram aventuras e personagens que discutem temas contemporâneos como veganismo, intolerância religiosa, desigualdade social, bullying, amizade, depressão, solidão, resiliência entre outros.

A criação das narrativas inicia com o reconhecimento dos textos anteriores dos alunos, a seguir vem a construção de um passo a passo envolvendo etapas e aspectos constituintes de textos. Os alunos se tornam os protagonistas do processo de elaboração de sua escrita, cujo processo é compartilhado com colegas e professores. 

A turma do 5º ano vespertino, autora do livro “Histórias Guardadas em Segredo”, que uniu ficção e realidade, produziu 10 histórias. A professora Ysabele Barra reforça que “os momentos de escrita de um texto ficcional englobam aspectos cognitivos variados, um universo que é trabalhado com a ajuda de vários profissionais da escola. É importante que o aluno perceba que seu texto pode ir além do que ele pensou”. 

“Eles têm muito cuidado e apreço por cada linha escrita. Desde o início do ano já começam a pensar o que vão escrever, qual história irão contar, qual temática abordar. Alguns fazem a sequência dos contos anteriores, já que todos os anos produzem uma nova obra. Até a capa do livro é construída pelos alunos, e outra questão importante é que as histórias espelham questões sociaispor eles vividas ou questionadas por eles”, explica Ysabele.

Desigualdade social em pauta

No último ano, a desigualdade cresceu no Brasil. Os dados do relatório que define características sobre a riqueza em países de todo o mundo, elaborado pelo banco Credit Suisse, apontou que os índices são os piores dos últimos 20 anos. Essa realidade aparece nas histórias criadas pelos alunos. Em um dos contos, intitulado “A feira”, elaborado por Ian Gê Seixas, 13 anos, aluno do 7º ano, dois comerciantes se encontram na Ceasa e se reconhecem dos tempos de juventude. 

Mesmo tendo as mesmas origens, trilharam caminhos diferentes, permeados pela desigualdade social do Brasil. Márcio tornou-se feirante e seguiu com o trabalho dos pais. Já o outro, João, teve a oportunidade de estudar, abriu seu próprio negócio e mudou de vida. A grande questão do texto é que aquele menino que outrora compartilhou de ideias e aventuras com Márcio, tornou-se alguém bem diferente do que era. O personagem se coloca contra uma comunidade de catadores de lixo que será despejada. 

Para Ian Gê, escrever é poder usar as palavras para trazer à tona importantes reflexões sociais. “Quando eu estou escrevendo, posso criar histórias e desfechos. É como se eu controlasse tudo, como se eu pudesse falar através do meu texto, mudar realidades”, conta o jovem escritor.

Preconceito contra religiões de matriz africana

Já a história de André Dallas, 14 anos, Dia a Dia, fala sobre Anaya. O foco da narrativa está no preconceito que os colegas de turma têm com a religião da menina, que é candomblecista. Ela sofre bullying e é vítima da intolerância religiosa.

Em um dado momento, a menina não suporta mais ser vítima de preconceito, rebate as piadas de mau gosto e acaba sendo levada à diretoria. No entanto, é mais uma vez discriminada por sua religião. A mãe da menina presencia o momento da conversa entre Anaya e a diretora e processa a escola.

No final do conto, a garota muda de instituição e é recebida com carinho e respeito pelos colegas da nova escola. Nesse ambiente de afetos e longe dos preconceitos, Anaya consegue então se expressar livremente e ter a sua religião respeitada em um lugar que promove a diversidade de pensamentos e opiniões.

Lançamento dos livros

No encerramento do ano letivo, a Casa Escola promoveu o lançamento destas obras, reunidas em 13 livros (um por turma), com direito a sessão de autógrafos para a comunidade escolar.

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