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Cultura

Conversamos com a Ilustralu sobre o lançamento da versão física de “Arlindo”

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Webcomic de sucesso criada pela autora potiguar chega nas livrarias em junho pela Editora Seguinte

Foto: Caroline Macedo | Acervo pessoal

Luiza de Souza, conhecida como Ilustralu, é quem está por trás da webcomic “Arlindo”, que ganhou fama no Twitter. As tirinhas em cores rosa e amarelo narram a história de um garoto que mora no interior do RN e tem que lidar com todas emoções que vem com o primeiro amor e o preconceito à sua volta. Tudo isso embalado ao som de Sandy & Júnior.

“Arlindo” começou a ser publicada pelo Twitter em 2019 e conquistou o coração de muita gente, até que em 2021, a webcomic se transformou em um livro, pela Editora Seguinte (selo do Grupo Companhia das Letras). A princípio, a galera que apoiou o projeto no Catarse já conseguiu adquirir e receber os exemplares, porém, o livro será lançado de forma oficial, encontrando-se disponível em todas as livrarias, no mês de junho. O Elo Jornal conversou com a Ilustralu sobre o lançamento de “Arlindo” e várias outras coisas, confira:

Quem é a Ilustralu e como surgiu a ideia de criar Arlindo?

Meu nome é Luiza de Souza e ilustralu é como as pessoas me conhecem da internet. Eu sou de Currais Novos mas moro em Natal há 10 anos, cursei Comunicação – Publicidade na UFRN. Comecei a desenhar por um acaso do destino e não parei nem pretendo. (risos)

Eu tinha feito algumas tirinhas, na intenção de mostrar como o discurso de ódio que rondou a campanha eleitoral (e que está entre nós até hoje) era nocivo para as crianças que ouviam. Essas tirinhas se tornaram um estudo de personagem para o que seria o Arlindo que chegou no twitter. Um adolescente e com uma história que precisava ser mais do que o reflexo desse discurso de ódio. Um primeiro passo para construir espelhos e conversas, sabe? Eu senti que precisava fazer alguma coisa depois do resultado das eleições de 2018 e contar essas histórias que existem em Arlindo era o que eu podia fazer pra tentar enfrentar esses tempos esquisitos que a gente tem vivido.

Geralmente a galera do RN, principalmente a que faz arte, não é tão reconhecida, e você repercutiu bastante com “Arlindo” e ainda conseguiu publicar ele de forma física com a Editora Seguinte, tendo bombado nas assinaturas e vendas lá no Catarse. Qual foi sua reação quando as pessoas começaram a abraçar o personagem e a curtir sua história?

Acho que a história chegou nas pessoas certas no momento certo. A gente cresce achando que todas as histórias só acontecem em outros cantos, mas Arlindo é muito a prova de que histórias fora do eixo, em realidades interioranas, etc com uma construção de personagem consistente acaba cativando. Chegar em TANTA gente me surpreendeu bastante, mas acho que faz sentido principalmente quando existem poucos espelhos como o que Arlindo tem sido.

Essa é uma das coisas que mais gosto na sua obra. O fato de podermos nos ver no Arlindo. É muito legal ver ele falando “mainha” e até mesmo sendo benzido pela avó, porque são coisas muito daqui. A figura do pai dele também é algo que me lembra muitos homens (incluindo meu pai) que passaram por minha vida e acredito que de muitas pessoas também. A cada página que lemos do Arlindo, vem um sentimento de representatividade muito forte, que é meio difícil de encontrar hoje em dia. Você tem noção da importância da representatividade que Arlindo passa? Já recebeu muito feedback do público em relação a isso?

Tem um discurso de Junot Diaz, escritor e ganhador do Pulitzer de ficção, em que ele fala “Sabe, nas histórias, quando os vampiros não têm reflexo? Se eles não têm reflexo, só podem ser monstros. Então, se você quiser fazer qualquer pessoa ser vista como um monstro, é só fazer com que ela (em termos de cultura e entretenimento), não possa ser vista.” Eu fui crescendo, e me sentindo um desses monstros. Eu nunca conseguia me enxergar, me ver refletido em lugar nenhum e ficava pensando “Caramba, tem algo errado comigo? Será que não tem ninguém como eu por aí?” E alguma coisa nessa sensação me inspirou e eu resolvi que era minha missão criar alguns espelhos, para crianças como a que eu fui por aí não se sintam monstruosas como eu me senti.” As pessoas tiveram a chance de se enxergar em Arlindo como um espelho, para algumas isso aconteceu pela primeira vez e acho que isso explica todo o carinho nessa comunidade que aconteceu junto com o quadrinho. Todas as mensagens das pessoas me quebravam inteira e me colavam tudo de volta.

Página de “Arlindo” | Foto: Reprodução

Outro diferencial em “Arlindo” é a nostalgia com as referências aos anos 2000. MSN, Sandy & Júnior… Essa escolha de ambientar a história com todos esses elementos foi proposital para trazer essa vibe nostálgica ou foi algo que surgiu aleatório na sua cabeça e você decidiu colocar na história?

Uma mistura das duas coisas. A música em “Arlindo” define o tempo, te ajuda a imergir na história e também é um gancho para essa identificação que a gente falou. As pessoas vinham porque viam a música, batia a nostalgia e ficavam pela história.

A Webcomic tem um formato diferente do usual e se assemelha às novelas. Enquanto publicava as páginas de “Arlindo”, você chegou a ser influenciada pela opinião do público e mudou alguma coisa ou seguiu sempre o que havia planejado?

Nossa, mudei bastante (risos). Na maior parte das vezes onde eu queria que a próxima página fosse surpresa e alguém adivinhava, eu trocava o jeito que a coisa toda ia acontecer. Foi um ótimo exercício de improviso que contribuiu bem com a fluidez da história. Eu sempre li todos os comentários, ri com todos os memes, chorei com os depoimentos da galera que se sentia tão parte que me mandavam suas próprias histórias. Gerar essas conversas foi o maior presente que Arlindo me deu.

Nesse semestre eu estava na turma de uma disciplina chamada Introdução às histórias em quadrinhos e em um determinado momento falamos sobre você e Arlindo. Além disso, já vi o Fábio Moon, que é um dos nomes mais importantes no cenário de quadrinhos aqui no Brasil, elogiando seu trabalho, então gostaria de saber como você se sente com esse reconhecimento que vem conquistando?

É uma sensação muito doida e muito boa de ter feito o melhor que podia com o que eu sabia fazer, mas nada se compara ao sentimento de ver os leitores com o sorriso no rosto e o livro na mão. O reconhecimento é um conforto de saber que essa história pode chegar em ainda mais gente.

Luiza com “Arlindo” | Foto: Acervo pessoal

Por fim, gostaria que você falasse sobre seus próximos projetos e deixasse um recado para nossos leitores. O espaço é todo seu!

Por enquanto estou descansando e tentando entender quais são as próximas histórias que eu quero contar. Queria deixar o aviso que a versão física capa dura entrou em pré-venda essa semana.

Link da pré-venda: https://amzn.to/3a9xA1n

Siga a Ilustralu no Twitter para ler “Arlindo”: https://twitter.com/ilustralu

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