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Cultura

Pedro Pereira, o artista da superação

Publicado

Por Virgílio Bezerra

Direto de Passa e Fica para o mundo, ele é uma metamorfose ambulante

Foto: Rodrigo Sena

Pedro Pereira é um artista plástico autodidata, com um talento impressionante. No ano de 2002 sofreu um AVC, em pleno enterro da mãe dele, tendo ficado internado em estado de coma, durante três meses e recuperou-se, milagrosamente, ao ponto de tornar-se um novo artista muito mais engajado do que antes do aneurisma.

Pedro tornou-se conhecido, no seu tempo de juventude e estudante secundarista, como o poeta “marginal” pois, nos anos de chumbo, na década de setenta/oitenta, toda arte produzida fora da esfera estatal era vista como “subversiva” e sem valor artístico social.

Porém, com a redemocratização do país, aos poucos, as palavras arte “marginal” foi substituída pelas palavras arte “alternativa”, obtendo o almejado reconhecimento dos meios acadêmicos e sociais.

Quem é a pessoa Pedro Pereira?

Pedro: Sou uma pessoa simples e repleta de inquietudes na busca do belo amor.

Quem é o poeta e artista plástico Pedro Pereira?

Pedro: Pintor poeta, Pinto o que não sei escrever, escrevo o que não sei pintar, pinto e escrevo o que me faz sonhar.

Quando surgiu a ideia de que você queria ser um artista?

Pedro: Eu desde criança tive aptidão para as artes de pintar escrever e declamar. Nos anos 80 trabalhava numa empresa da construção civil, quando fui demitido decidi que viveria da arte e iria lapidar o dom que Deus me deu, como diz o pensador Confúcio, “procuras um trabalho que gostes e não precisarás trabalhar para mais ninguém”. Daí em diante não mais parei de praticar o oficio da arte.

Qual influência ou alguém que tenha influenciado em especial nessa decisão?

Pedro: Na minha infância morei vizinho a casa do mestre Dorian Gray, o via pintar, isso me despertou o desejo inocente que seria um artista também. Mais tarde conheci outros mestres da pintura do RN como Newton Navarro, Thomé Filgueira. Na minha busca pelo conhecimento da arte universal os gênios Monet, Van Gogh, Matisse entre outros também foram fontes de inspiração para meu crescimento artístico

Como foi o início dessa empreitada de ser artista?

Pedro: Todo começo é muito difícil, principalmente tratando-se de arte como profissão e como único meio sustento, só que eu tive e tenho muita garra, gana e muita força de vontade, nunca desisti de realizar meus sonhos reais, o pouco dinheiro que tinha investi em pinceis tintas e camisetas, pois o suporte camiseta me facilitava a venda e a circulação entre as classes foi aí que entrei pela porta da frente no meio artístico De Natal. No ano de 1991 realizei minha primeira exposição individual no salão nobre da AABB- Natal, intitulada de Passo Proibido, usando a camiseta como suporte com a intenção de desmistificar as artes plásticas convencionais.

Quais as principais dificuldades encontradas?

Pedro: As maiores dificuldades foram a falta de dinheiro para desenvolver minhas ideias, falta de apoio dos órgãos culturais e a falta de conhecimento entre o meio cultural desse tempo.

Quais as principais facilidades encontradas?

Pedro: Depois de conhecer muitos artistas de todas as áreas as portas foram se abrindo e fui encontrando caminhos por onde passar até chegar meu objetivo que é o reconhecimento da minha arte.

Como foi enfrentar o AVC que parou, provisoriamente, a sua carreira artística?

Pedro: O AVC me deixou com limitações motoras severas que as trago até hoje, tive que reaprender muitas coisas no fazer, porém as ideias se multiplicaram, o que era problema virou solução. Para minha felicidade já tinha encontrado meu traço, meu estilo, uma identidade artística própria.

Como foi o seu processo de recuperação, em virtude desse AVC?

Pedro: Logo que fui acometido do AVC. Com pouco tempo fui fazer um tratamento no Hospital da rede Sarah em Fortaleza e logo em seguida fui encaminhado para Brasília lá passei por todos tipos de exames e fui encaminhado para reabilitação motora só então descobri que sequela não é doença. Ainda no hospital pintei uma exposição que faz parte do acervo. O processo é lento preciso de fisioterapia, terapeuta ocupacional entre outras terapias funcionais

Quais foram os projetos para a sua volta ao circuito da arte e cultura de Natal?

Pedro: No Ano: 2003 Realizei minha primeira exposição pós AVC, na pinacoteca do RN com 25 obras medindo 50 X 80cm.

Quais as obras artísticas que você mais se orgulha de ter criado?

Pedro: Me orgulho de ter criado obras únicas, todas são importantes, agora existe as que se destacaram mais, por exemplo: pela fauna, A flora, que venceu o salão de artes do RN realizado na cidade de Macau-RN em 1999, Outras obras que fazem parte do acervo da FIERN, (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte) e CNI (Confederação Nacional da Industria).

Você tem algum projeto cultural em andamento ou para o futuro?

Pedro: Meu projeto para 2021 é uma grandiosa exposição comemorativa de 40 anos de arte.

Pedro Pereira em seu atelier |
Foto: Ana Carmem

Como você vê produção artística hoje na cidade de Natal?

Pedro: Eu vejo a produção cultural em Natal hoje com bons olhos pois nesses anos tem surgido grupos de artistas unidos e organizados que tem realizado projeto usando as leis de incentivo mas muito abaixo das nossas potencias artísticas.

Você acha que o artista potiguar pode sobreviver da arte em Natal e no RN?

Pedro: Não só no RN, mas no Brasil viver de arte está praticamente impossível, nunca tivemos uma politica cultural voltada para os artistas é muito complicado fazer arte num país que não valoriza sua arte nem sua cultura.

Qual conselho você daria a alguém que queira ser artista plástico?

Pedro: Aconselhar uma pessoa com talento para arte fazer arte não é fácil porque tem uma série de fatores que dificultam a evolução a começar pelo reconhecimento que pode levar muito tempo ou não, depende do fator sorte e muito trabalho, pois arte é coisa séria. Nesses 40 anos de arte. Publiquei os livros de poemas, Lutar pela paz, 1981, Alto Astral 1983, Pingo de Força,1984, Artimanha com parceria do poeta Vlamir Cruz, 1985, realizei exposições individuais em Natal, Mossoró, Recife, Fortaleza, participei de exposições coletivas em Portugal, Espanha, Itália.

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