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Séries e Filmes

Resenha: Expresso do Amanhã

Publicado

Série está disponível na Netflix

Imagem | Divulgação | Netflix

A Terra não suportou os erros de uma experiência científica e sucumbiu. Agora, congelado a menos 150 °C, o planeta precisa de uma nova “Arca” para manter os homens e outras espécies vivas, sob um pretexto ainda desconhecido pelos sobreviventes. Entretanto, num mundo pós-apocalíptico, as configurações dessa “Aliança” aderem a outras composições, com aspectos bem diferentes daqueles narrados no livro bíblico de Gênesis. E assim, Expresso do Amanhã (disponível na Netflix) mistura sangue, luta de classes e autoritarismo.

A história nasceu em formato HQ em 1980, invadindo as telonas em 2013, sob a assinatura de Bong Joon Hoo – aquele mesmo de Parasita – e tornou-se franquia este ano. O enredo tem como pano de fundo uma nova era do gelo, mas no caso do seriado – que se prepara para estrear a segunda temporada –, a intenção parece ser a de se distanciar das versões produzidas anteriormente.

O cenário de Expresso do Amanhã é o Snowpiercer, um trem comandado pelo sr. Wilford, um déspota que muito se assemelha ao Grande Irmão, de 1984, o clássico romance de ficção futurista de George Orwell. No caso da série, nada na grande locomotiva de 1.001 vagões escapa da vigilância, manipulação e controle do sr. Wilford. É algo que, em vários momentos ultrapassa uma realidade já distópica em si.

O trem é dividido em classes. Na frente, estão os bilionários. Eles financiaram a construção da locomotiva e, por isso, usufruem de privilégios, como roupas finas e comida fresca. Na parte de trás estão os fundistas, que vivem de forma clandestina, na mais absoluta miséria. A eles, cabe à luta pela sobrevivência e o desejo de revolução, liderado pelo ex-investigador Andre Layton (Daveed Diggs). Após diversas tentativas de tomar o trem, Layton é chamado para solucionar um assassinato na terceira classe e encontra ali a chance de, finalmente, dar início à tão sonhada revolução.

Melanie Cavill (Jennifer Connelly) é a fiel comissária do Snowpiercer e se diz a serviço do sr. Wilford. É ela quem toma todas as decisões, inclusive, a de congelar e executar supostos desertores da lei e da ordem. Em meio a embates sangrentos, Expresso do Amanhã trata da conflituosa e, por vezes, angustiante tarefa de fazer escolhas mediadas pela antítese dos nossos ideais em detrimento de um suposto bem comum e vice-versa.

A primeira temporada se encerra com o episódio em que Melanie salva a locomotiva de um trágico descarrilamento, algo que seria fatal para todos os habitantes do trem. A antítese dos fatos aí parece recrudescer: a personagem que sempre agiu com violência contra os fundistas para “manter a ordem”, se dedica a salvar a vida dessas mesmas pessoas que ali estão (a essa altura o vagão ocupado pelos bilionários já havia se desintegrado do trem e todos os corpos que ali habitavam tinham petrificado).

É bem verdade que a gente pode dizer que o Snowpiercer é uma alegoria da sociedade. A luta dos oprimidos contra os opressores. O indigente contra o egoísta. A necessidade contra a insensibilidade. A locomotiva é luta, mas também é ódio. É violência e ignorância. E mesmo quando alguns se dão conta de como é palpável aquilo que se imaginava espectro, ainda assim, parece mais cômodo crer que o mundo imaginário que por vezes habita em nós simplesmente é tal qual deveria ser.  

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