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Cultura

Oscar muda critérios de elegibilidade para dar mais espaço a minorias

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Nova regra começa a valer em 2022, tornando-se obrigatório no Oscar de 2025

Foto: Reprodução internet

A pandemia abalou Hollywood e muitas produções em andamento tiveram suas atividades paralisadas. Os filmes prontos tiveram suas estreias adiadas sucessivamente e o streaming chegou como a principal alternativa para a janela de exibição, substituindo até os cinemas, por enquanto.

Ou seja, o audiovisual como um todo teve que rever muito do sistema já estabelecido para se adaptar ao que será “o novo normal” dentro das salas dos grandes Multiplex até no sofá da sua casa. Mas não só os valores de comercialização foram revistos. Outro fator importante que está sendo discutido e debatido dentro dos estúdios dominantes é a criação de histórias feitas por minorias, sempre tão mal representadas nas telas.

Uma discussão que vem desde os indicados da premiação do Oscar de 2016, em que nenhum negro ou do grupo de minorias teve seu trabalho reconhecido pela indústria cinematográfica, somado ao fato de que o perfil dos votantes era de brancos, héteros, cis e membros antigos que ajudaram a moldar essa Hollywood de hoje. Não por acaso, a cerimônia daquele ano foi chamada de Oscarsowhite.

Depois de várias críticas e pensando em mais diversidade para os votantes da premiação, a Academia implementou membros novos que antes nem tinham chances de entrar, dando poder de decisão também para afro-americanos, latinos, asiáticos e mulheres. Nessa nova lista de votantes entraram Ava Duvernay, Rodrigo Teixeira – produtor brasileiro de filmes –, Kleber Mendonça Filho, entre outros.

Porém, de uma mudança mais gradual, a indústria cinematográfica teve que acelerar ainda mais o processo. A causa disso deveu-se a morte covarde de George Floyd por um policial branco, que reacendeu o debate em todas as camadas da sociedade sobre a importância de dar espaço aos movimentos anti-racistas, além de questionar os vários privilégios de uma estrutura forte que cala a voz de negros, latinos, asiáticos, mulheres e trans.

Pensando nisso, a Academia das Artes e Ciências Cinematográfica de Hollywood decidiu mudar os critérios de elegibilidade para a escolha da categoria de melhor filme tendo como parâmetro quatro normas. As novas regras vão começar a valer a partir de 2022, tornando-se obrigatório no Oscar de 2025.

Lembrando, para se tornar elegível é necessário apresentar pelo menos duas normas das quatro.

Uma escolha acertada, uma vez que vai fazer muitos produtores investirem em histórias sobre essas minorias, ou pelo menos dar oportunidades de empregos tanto na parte técnica como na de decisão organizacional.

Foto: Reprodução da Internet

Lista de Normas

A. Representação em tela, temas ou narrativas

Para atingir a Norma A, o filme deve atender a UM dos seguintes critérios:

A1. Atores principais ou coadjuvantes importantes – Pelo menos um dos atores principais ou coadjuvantes significativos é de um grupo racial ou étnico sub-representado:

Asiática

Hispânico / latino

Negro / afro-americano

Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca

Oriente Médio / Norte da África

Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico

Outra raça ou etnia sub-representada

A2. Elenco de conjunto geral – Pelo menos 30% de todos os atores em papéis secundários e mais secundários são de pelo menos dois dos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres

Grupo racial ou étnico

LGBTQ +

Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

A3. Enredo principal/assunto – O enredo principal, tema ou narrativa do filme é centrado em um grupo sub-representado:

Mulheres

Grupo racial ou étnico

LGBTQ +

Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

B. Liderança criativa e equipe do projeto

Para atingir a Norma B, o filme deve atender a UM dos critérios abaixo:

B1. Liderança criativa e chefes de departamento – Pelo menos duas das seguintes posições de liderança criativa e chefes de departamento – diretor de elenco, cineasta, compositor, figurinista, diretor, editor, cabeleireiro, maquiador, produtor, desenhista de produção, decorador de set, som, supervisor de efeitos visuais, escritor – são dos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres

Grupo racial ou étnico

LGBTQ +

Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Pelo menos uma dessas posições deve pertencer ao seguinte grupo racial ou étnico sub-representado:

Asiática

Hispânico / latino

Negro / afro-americano

Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca

Oriente Médio / Norte da África

Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico

Outra raça ou etnia sub-representada

B2. Outras funções-chave – Pelo menos seis outros cargos de equipe e técnicos (excluindo assistentes de produção) são de um grupo racial ou étnico sub-representado. Essas posições incluem, mas não estão limitadas a Primeiro AD, Gaffer, Supervisor de Script, etc.

B3. Composição geral da equipe – Pelo menos 30% da equipe do filme pertence aos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres

Grupo racial ou étnico

LGBTQ +

Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

C. Acesso à indústria e oportunidades

Para atingir a Norma C, o filme deve atender AMBOS os critérios abaixo:

C1. Aprendizagem remunerada e oportunidades de estágio – A distribuidora ou financiadora do filme pagou aprendizagens ou estágios que são dos seguintes grupos sub-representados e atendem aos critérios abaixo:

Mulheres

Grupo racial ou étnico

LGBTQ +

Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

Os principais estúdios/distribuidores são obrigados a ter aprendizagens/estágios remunerados e contínuos, incluindo grupos sub-representados (também deve incluir grupos raciais ou étnicos) na maioria dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física, pós-produção, música, efeitos visuais, aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

Os mini-grandes estúdios/distribuidores independentes devem ter um mínimo de dois aprendizes/estagiários dos grupos sub-representados acima (pelo menos um de um grupo racial ou étnico sub-representado) em pelo menos um dos seguintes departamentos: produção/desenvolvimento, produção física, pós-produção, música, VFX, aquisições, negócios, distribuição, marketing e publicidade.

C2. Oportunidades de treinamento e desenvolvimento de habilidades (equipe) – A empresa de produção, distribuição e/ou financiamento do filme oferece treinamento e/ou oportunidades de trabalho para o desenvolvimento de habilidades abaixo da linha para pessoas dos seguintes grupos sub-representados:

Mulheres

Grupo racial ou étnico

LGBTQ +

Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

D. Desenvolvimento de audiência

Para atingir a Norma D, o filme deve atender aos critérios abaixo:

D1. Representação em marketing, publicidade e distribuição – O estúdio e/ou empresa cinematográfica tem vários executivos seniores internos dentre os seguintes grupos sub-representados (deve incluir indivíduos de grupos raciais ou étnicos sub-representados) em suas equipes de marketing, publicidade e/ou distribuição:

Mulheres

Asiática

Hispânico / latino

Negro / afro-americano

Indígena / Nativa americana / Nativa do Alasca

Oriente Médio / Norte da África

Havaiano nativo ou outro ilhéu do Pacífico

Outra raça ou etnia sub-representada

LGBTQ +

Pessoas com deficiências cognitivas ou físicas, ou surdas ou com deficiência auditiva

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