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Sociedade

Flexibilização: o que muda diante do novo normal

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Psicólogos falam como o isolamento afetou nossas atitudes e o emocional

É indiscutível que o Brasil está retomando as atividades há algum tempo. Algumas regiões de São Paulo, por exemplo, estão na fase amarela, que permite a retomada parcial de restaurantes, lojas e algumas atividades culturais e de lazer, tais como: aberturas de museus e parques, com restrições, devido ao novo Coronavírus. No entanto, muitas pessoas ainda estão receosas para sair de casa, devido ao medo de contrair a Covid-19.

Pensando nisso, o Elo Jornal foi em busca de psicólogos para tirar dúvidas de como o isolamento social afetou a saúde mental das pessoas. Os convidados foram os psicólogos Danilo Freitas de Araújo, especialista em psicologia clínica e terapia cognitiva comportamental, e Gabrielle Alves, especialista em psicologia clínica com abordagem centrada nas pessoas (ACP). Confira a entrevista abaixo.

Arte | Petit Abel

ELO: Ficando tanto tempo em casa, sem interação com outras pessoas e agora com a flexibilização, podemos nos tornar pessoas mais introvertidas, ao retornarmos ao âmbito social?

 Danilo: Acredito que vai depender muito do modo de como esse indivíduo passou esse período de quarentena, se ele se isolou muito das outras pessoas, de contato sociais, oportunidade de diálogos, compensados com pequenas iniciativas como manter contato em redes sociais para amenizar a sensação de solidão. É claro que não são substitutos do contato real, mas pode ser uma forma de lidar melhor com o isolamento e facilitar na transição para a volta da “vida comum” do novo normal.

 ELO: O medo de contrair a Covid-19 ao sair de casa, mesmo com a flexibilização, pode chegar a desenvolver algum tipo de distúrbio a longo prazo?

 Gabrielle: Estamos voltando pessoas mais temerosas, não só com o medo de contrair o vírus, mas também de o passar. O que eu observei bastante em alguns pacientes nessa pandemia, foi que as crises de ansiedade ficaram mais intensificadas com a presença do medo. Quando a crise de ansiedade vem acompanhada desse medo, ela é caracterizada como uma crise de pânico, mas isso não significa que o indivíduo desenvolveu uma síndrome do pânico. São apenas crises pontuais e intensas de ansiedade com a presença do medo. Mas, a longo prazo, só poderemos ter a certeza se isso veio em consequência do Covid com comprovações científicas, pois é tudo novo e a ciência precisa de tempo para analisar em tudo que é diagnosticado em termos de saúde.

Elo: As pessoas estão condicionadas a terem um comportamento em massa? Por exemplo: se observarem que várias pessoas estão começando a sair de casa, estão mais propícias a serem influenciadas a fazerem a mesma coisa?

 Danilo: O “efeito manada” existe. A psicologia social explica muito isso, ou seja, você tem na sociedade grupos de indivíduos com atitudes que vão servir de modelo social para os demais grupos sociais. Esse modelo acaba se concretizando através de práticas de repetições e claro que sabemos que existem aspectos sociais, econômicos e políticos que influenciaram nesse processo.

 ELO: Esse estado de aceleração social de tempo, ao parecer viver o ano em semanas, fez com que estivéssemos adentrados num piloto automático?

 Gabrielle: Na verdade, nós já estávamos no piloto automático a algum tempo, pela nossa busca desenfreada em resolver tudo ao mesmo tempo. Eu costumo dizer que nós éramos um carro a 120 km/h e de repente puxaram o freio de mão, nos desestabilizando internamente, por isso temos que ter equilíbrio para essa readaptação.

 ELO: Ao preocupar-se excessivamente com a higiene nos locais pelo medo de contrair a Covid-19, as pessoas poderiam desenvolver algum tipo de TOC, por exemplo?

 Danilo: O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que é marcado pela presença de pensamentos obsessivos, ruminações, pensamentos intrusivos que causam um tremendo incomodo na pessoa, e fazem com que elas executem algumas ações que são as compulsões, ações que se tornam rituais, causando grande sofrimento para as pessoas. É um transtorno que tem geralmente antecedentes, tanto sociais como biológicos, como sinais demonstrados na adolescência, ou seja, o mero fato do Covid-19 existir não consegue desencadear o quadro do TOC, sem que o indivíduo tenha essa pré-disposição.

Elo: Fomos tirados abruptamente da realidade livre em que vivíamos. Existe algo que podemos fazer para que possamos adaptar nossa mente ao novo normal?

Gabrielle: Cuidado, cautela e um passo de cada vez. Volto a dizer que o equilíbrio é a chave para se readaptar.

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