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Sociedade

“Liga o som e vai dançar”

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Artesã de 69 anos fala sobre como tem vivido o confinamento no período da pandemia

Com o avanço da pandemia a mensagem de que pessoas idosas precisam ser protegidas tem ficado mais evidente. Isso porque o percentual de letalidade da COVID-19 naqueles com mais de 60 anos, no Rio Grande do Norte era de 26,15% até o fim da primeira quinzena de maio.. Em adultos (20 a 59 anos) era 4,44%. Os dados são da página do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (LAIS) e tornam-se alertas surpreendentes.

Cuidadores, familiares e a própria comunidade têm a missão de manter os idosos em casa, tarefa que deve ser desempenhada com afeto e carinho.

Para entender melhor como alguns têm vivido a experiência do distanciamento social, conversamos com Zuleide Pedro da Silva, 69 anos, artesã, moradora do bairro Mãe Luiza e associada do Clube de Mães Lourdes Guilherme, no mesmo bairro.

“Tô com saúde e tô em casa”, diz Dona Zuleide | Foto cedida do arquivo pessoal

Dona Zuleide, como costuma ser chamada, conta o que a tem ajudado a lidar com o confinamento e explica o que mudou na nova rotina. Sem esconder as dificuldades, comenta: “A gente fica um pouco deprimida… A vida que a gente tinha, principalmente eu, que saio todo dia, vou para o clube, para a academia, participando de feiras do IF, do CECAFES. E a gente em casa fica, assim, com saudade… Mas eu, graças a Deus, tô bem. Tô com saúde e tô em casa. Só com saudade da vida, mas se Deus quiser tudo isso vai passar.”

Praticando o distanciamento desde 12 de março, ela ouve quem a procura e dá ensinamentos: “Já teve colega que ligou pra mim, já duas colegas, liga pra mim chorando… que assim, devido a vida que tinha, e [agora] só em casa, em casa… Aí eu digo a ela ‘vá fazer o seu croché, vá bordar’. Ela diz que fica bordando, com um pedaço [de tempo] vai pra rede chorar. Não pode fazer isso, eu digo ‘liga o som e vai dançar’. Eu faço isso também.”

Veja o que mais ela compartilhou em sua entrevista:

Desde quando a senhora começou a fazer o distanciamento social até hoje o que tem sido mais difícil?

Eu tenho uma vida muito ativa. E foi difícil eu ficar em casa. Mas como tinha que ficar mesmo, “obrigada senhor!”, tô em casa. Eu fico fazendo as minhas atividades, mas eu faço igual como eu fazia antes, que de manhã tomava banho, tomava café, tomava um banho de sol e trocava de roupa e ia para o clube. Ou então fazia alguma atividade fora, o que tivesse. Os trabalhos de casa, os manuais que eu fazia lá no clube, eu tô fazendo. Só não faço costurar porque aqui não tem máquina. Agora aquela ansiedade quando chega na terça-feira… que se reúne todo mundo… aí na terça-feira pinta uma saudade medonha… Mas é isso mesmo.

Agora com o distanciamento social, a senhora usa mais o celular? Para o que?

Uso mais o celular agora. Até para me distrair. E fico também recebendo as aulas, do professor lá do IF, de consciência corporal. Ele mandava pra mim todos os dias, então fico assistindo.

A senhora ainda vai às ruas por alguma necessidade?

De lá pra cá eu só saio mesmo para tomar vacina e comprar meus remédios, que é aqui no bairro mesmo. Mas eu fui e voltei logo. E não dei nem atenção, não falava com ninguém, com medo.

4. A senhora tem ajuda de pessoas próximas ou familiares com que frequência?

Tem conta que me vizinho paga. Minhas netas… Meu filho faz supermercado. E graças a Deus os vizinhos tudinho, a rapaziada, essas moças nova, quando vão pra rua perguntam se eu vou mandar comprar alguma coisa. O meu vizinho aqui duas ou três vezes ao dia ele liga pra mim “Dona Zuleide, tá precisando de alguma coisa? Nem é preciso eu ir comprar pra mim, eu vou fazer as suas compras.” Eu sou bem assistida, tanto pela minha família, quanto pelos meus vizinhos.

O que a senhora gostaria de dizer para as pessoas sobre a experiência de distanciamento social?

Primeiro, ter muita fé em Deus. Tudo isso vai passar. Deus sabe de tudo. Não desistir de nada, não se desesperar. E procurar fazer alguma coisa. E falar pra Deus “Jesus Cristo, eu estou aqui”. Ler também é muito bom. Pega um livro bom e vai ler.

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