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Economia

Venda de remédios estoura durante pandemia e vice-presidente do CRF alerta para perigo da automedicação

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Pesquisa comprova disparo da comercialização da vitamina C com 180%; atrás vêm paracetamol e cloroquina

Uma imagem contendo edifício, prateleira, livro, rua

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Foto: Humberto Teski

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, uma onda de pânico e desinformação têm atormentado a população. Com receio de contrair a enfermidade, os usuários passaram a buscar nas farmácias medicamentos que pudessem ajudar a combater a covid-19. E o mais procurado é um velho conhecido do brasileiro: a vitamina C.

A constatação é de uma pesquisa encomendada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) e produzida pela consultoria IQVIA. O levantamento mostrou que, entre os meses de janeiro a março de 2020, houve um aumento de 180% da venda desse produto em relação ao mesmo período do ano passado. Propagado na internet e no boca a boca como um medicamento preventivo contra a covid-19, o uso indiscriminado de medicamentos sem acompanhamento médico pode ser danoso ao organismo. O alerta é feito pela vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF-RN) e professora da Faculdade de Farmácia da UFRN, Célia Aguiar.

A docente afirma que não existe até o momento nenhum medicamento comprovado cientificamente que combata o coronavírus. E, para quem acha que mesmo um medicamento simples pode ser usado de qualquer maneira, está enganado. Segundo Célia, o uso excessivo da vitamina C pode causar náuseas, vômito, diarreia, dentre uma série de efeitos adversos. A corrida às farmácias foi motivada por informações falsas de que a vitamina C preveniria a covid-19. Entretanto, diz a vice-presidente, a melhor alternativa é consumir a vitamina C do modo “raiz”: com a alimentação balanceada e rica no nutriente.

No levantamento do Conselho, o vice-campeão de crescimento com 77% foi o paracetamol. Se usado incorretamente, diz a professora, ele compromete o fígado e pode levar à falência hepática. Para evitar prejuízos, a gestora defende a busca correta por informações. “O brasileiro precisa ter parâmetros imparciais, tranquilizadores, e o farmacêutico é o profissional mais acessível”. 

Outro queridinho de parte da população nos últimos meses é a cloroquina. Defensor constante do remédio, o presidente Jair Bolsonaro tece, desde o início da pandemia, elogios à droga. Na esteira do pânico, o estudo do CFF apontou um crescimento de quase 68% na venda desse produto, mesmo sem comprovação científica da sua eficácia. Assim, a Anvisa precisou enquadrar a hidroxicloroquina e a cloroquina como produtos controlados.

Na terça-feira (19), o presidente recorreu a uma piada para defender o medicamento: “quem for de direita toma cloroquina, quem for de esquerda toma Tubaína”. Com isso, a vice-presidente do CRF-RN apela para a necessidade de buscar informações idôneas sem apelos ideológicos e político-partidários. Segundo Aguiar, o uso indiscriminado da cloroquina pode acarretar graves problemas, como choque anafilático, e levar à morte.

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