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Esporte

O último Tema da Vitória em Paris

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Em 20 de abril de 1994, Ayrton Senna cruzou o caminho da Seleção Brasileira para dar o pontapé inicial no sonho do tetra da Amarelinha. Ao surgir no gramado do Parc des Princes, mesmo diante de milhares de franceses torcedores de Alain Prost, foi aplaudido em pé nos domínios de seu arquirrival e fez um pacto com os jogadores brasileiros pelo tetra das pistas e dos gramados

(Foto: Revista Autoesporte / Reprodução)

A Seleção Brasileira foi à Paris para fazer um dos tantos amistosos na preparação para a Copa do Mundo. O adversário foi um combinado entre jogadores de PSG e Bordeaux, no Parque dos Príncipes.

Sem que houvesse obrigação ou relação de marketing, Ayrton Senna decidiu ir à França para incentivar o grupo que dois meses depois, disputaria o Mundial com a missão de encerrar um incômodo jejum de 24 anos sem títulos e que colocava sobre aqueles jogadores um peso descomunal.

Segundo o treinador Carlos Alberto Parreira, houve uma tentativa de fazer uma foto antes da partida com Senna junto do grupo da Seleção, mas um atraso na chegada do piloto ao estádio impediu que a imagem emblemática virasse realidade.

Daquela noite parisiense restaram duas coisas, a mais importante é o simbólico gesto do pontapé inicial, que apesar de ser o da partida, foi o primeiro passo na conquista do tetra.

E depois, a imagem do cumprimento entre Ayrton Senna e Raí. O simbolismo da aliança entre Senna e o Brasil pelo tetra está nessa foto. O piloto estava na casa do inimigo, mas foi aplaudido pela torcida de Prost. O craque estava jogando contra os companheiros do PSG, clube que defendia desde o ano anterior. Em território europeu, o aperto de mãos dos dois foi um pacto pela conquista nas pistas e nos gramados.

Raí não combinava com a 10 (que vestiria na Copa) e a faixa de capitão da Seleção Brasileira de 1994. Não era questão de qualidade, o irmão do Doutor foi um craque, mas nas características daquele time, Raí era como feijão no estrogonofe.

Senna nem jogador era, mas combinava demais com aquela seleção. Garra, talento e obstinação pela vitória eram características em comum. Na ocasião desta foto, apenas 11 dias antes da curva Tamburello atravessar o samba, aliás, o tema da vitória, Ayrton propôs um pacto aos jogadores: terminariam 1994 com o tetra, ele na F1, eles na Copa do Mundo.

Para Senna tudo acabou em Ímola, virou lenda naquele triste 1º de maio. Para Raí tudo começou quando terminou sua participação na Copa. Sacado do time titular logo na fase de grupos não criou crise no elenco e foi fundamental para o título mesmo do banco de reservas.

Dia desses disseram que Raí não pode misturar futebol e política, que não deve demonstrar sua opinião por ser homem público do futebol e que quando ele fala “respinga no clube”.

Senna, então, não poderia misturar F1 com futebol, esporte com ação social no Instituto Ayrton Senna, somar o tri das pistas com o tri dos campos para conquistar o tetra, nem usar sua imagem como motivação para que tantos brasileiros nunca desistam.

Depois que a Williams passou reto na Tamburello, apenas na terceira volta do GP de San Marino, em Imola, e o mundo viu Senna tombar a cabeça, o Brasil perdeu seu ídolo trabalhador justamente no Dia do Trabalho.

Naquela noite francesa, com seu carisma e liderança nata, Ayrton Senna foi do Brasil como em tantas oportunidades e inspirou os jogadores da Amarelinha. O último tema da vitória foi em Paris e reverberou pela derradeira vez com a presença iluminada daquele Silva.

Pela honra de Ayrton, os jogadores brasileiros partiram rumo aos Estados Unidos e no Rose Bowl, quem sabe sob olhares de Senna de onde quer que estivesse, festejaram por tudo que este país sofre desde sempre. Ao final de 1994, presentes nesta foto, apenas Raí com a Seleção Brasileira foi tetra, Senna foi eterno.

(Foto: Revista Autoesporte / Reprodução)
(Foto: Revista Autoesporte / Reprodução)

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