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Opinião

Das coisas que importam II

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As cores importam. Maquiagem importa. E maquiagens com cores fortes importam mais ainda. Pintar-se pode ser arte, portanto, terapêutico e terapia sempre importa. O entardecer importa. O “toctoc” do sapato da sua mãe importa. As ligações do seu pai importam e o fato dele te achar um gênio também, risos. Ter contato com quem gosta importa. Seu irmão ansioso para lhe contar sobre Minecraft importa. Receber conselhos da sua avó importa. Segurar a mão da sua mãe importa. Escutar histórias importa. O contato humano importa. O simples é o que importa, o resto é capricho nosso.

Foto: Reprodução | Instagram Luiza de Paula

O meu modo de encarar a vida passou, subitamente e por livre e espontânea pressão, por uma transformadora ressignificação. O olhar afunilou-se cem por cento para o que de fato tem valor nesta nossa breve e imprevisível passagem por aqui.

Imersa em uma pandemia e com o verdadeiro privilégio de poder estar em casa, tomei nota de que diante do então barulho do dia a dia e da correria frenética, o deus da ambição, da vaidade, do poder e do dinheiro, parecia, inconscientemente, domar parte do meu caminho. Dos nossos caminhos. Do caminho da humanidade.

Saramago já dizia que “é preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.” Mais uma vez, bingo. Mais uma vez, genial. Um exemplo disso é que não tínhamos noção do real poder da publicidade exacerbada e nociva até um destroço mundial nos abrir olhos para percebemos que não, não precisamos da Televisão sei lá quantas polegadas lançadas neste ano; não precisamos de grandes produções; não precisamos da roupa do local X; não precisamos do eletrodoméstico do ano; não precisamos de cremes “X” ou “Y” para cuidarmos bem da pele, podemos utilizar máscaras excelentes caseiras; não precisamos do supérfluo, mas esse era justamente o segredo que não poderíamos (re)descobrir.

Não precisamos de nada do que nos é vendido como uma espécie de salvação em seus mais diversos níveis. A salvação está em nós, na lente pela qual vemos o mundo. Está nas pessoas. Está em seguirmos nossos valores e princípios. Em olharmos pro outro com sensibilidade, empatia e amor.

Salvar a si mesmo é ressignificar a ideia de sucesso e entender de uma vez por todas que estar na glória é descansar na paz de espírito. Salvar a si mesmo é entender de uma vez por todas que as cores da vida importam. A maquiagem terapêutica em forma de arte também. O entardecer também. O “toc-toc” do sapato da sua mãe. As diversas conversas com o seu pai e até o fato dele te achar um gênio também.

Nada além disso importa. Ser chique é enxergar a vida pela lente da simplicidade. O resto é capricho.

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