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“Don’t fuck with my freedom”: sobre Miley Cyrus e liberdade de expressão

Tony Lucas

Publicado

Mesmo com “Midnight Sky”, um dos principais lançamentos musicais do ano, a cantora ainda sofre com os diversos boicotes e censuras que a acompanham desde seus primeiros passos

Miley Cyrus no clipe de “Midnight Sky”| Reprodução Internet

A cantora, atriz e compositora Miley Cyrus sofreu censura, boicotes e repreensão durante toda sua vida e carreira. Miley ficou conhecida por dar vida a personagem Hannah Montana, do seriado homônimo do Disney Channel. A personagem se tornou um ícone para muitas crianças e adolescentes, que cresceram acompanhando o seriado e, consequentemente, a vida de sua intérprete.

Aos 15 anos, Miley posou para a capa da revista Vanity Fair. Na foto, ela aparece enrolada apenas com um lençol e boa parte de suas costas nuas aparecem para o público. A capa causou polêmica e gerou diversas críticas para a intérprete de Hannah Montana. O seriado, inclusive, foi ameaçado de ser cancelado.

Aos 16 anos, Miley fez uma apresentação da música “Party in the U.S.A” na premiação Teen Choice Awards. Vestida com um short curto e dançando em um pole dance, mais uma vez a cantora foi alvo de comentários negativos e críticas calorosas.

Quatro anos depois, na época do lançamento de Bangerz, seu quarto álbum de estúdio, Miley Cyrus adotou um novo visual (corte de cabelo bem curtinho). E entre danças sensuais e um vídeo onde aparece nua em uma bola de destruição, ela foi acumulando uma série de polêmicas e olhares tortos dos americanos mais conservadores.

É engraçado notar que Miley nunca fez nada explícito que ferisse ou gerasse desconforto em alguém. Todas as atitudes tidas como polêmicas eram expressões artísticas. Sempre segura de si e confortável com seu corpo, ela estava apenas colocando sua arte para fora, usando seu corpo para passar sua mensagem.

Agora em 2020, Miley Cyrus está lançando seu sétimo álbum de estúdio. Plastic Hearts chegou em todas as plataformas no dia 27 de novembro, possui bastante influência no rock dos anos 80 e tem até mesmo participações de grandes nomes como Joan Jett e Billy Idol. Adoraria dizer que nos seus recém completados 28 anos, Miley não sofre nenhum tipo de censura e consegue passar sua arte da melhor forma possível, mas estaria mentindo se fizesse isso. A era Plastic Hearts, ainda que aclamada pela maioria do público e crítica já sofreu alguns boicotes e censura.

O primeiro single do álbum, Midnight Sky, é uma canção com uma proposta visual e musical carregada de influências no glam rock que fala sobre o empoderamento feminino, a liberdade e o amor próprio. Abertamente assumida como pansexual, em um trecho da música, Miley fala sobre beijar uma garota: “See my lips on her mouth, everybody’s talking now”. O trecho da música foi censurado em algumas rádios, tendo o “See my lips on her mouth” substituído por “See my lips, see my lips”

Prisoner, segundo single do álbum, é uma parceria com a cantora Dua Lipa. A música fala sobre estar preso numa relação tóxica e a necessidade de sair dela, mesmo não conseguindo e sendo tão difícil de fazer isso. No clipe, Miley e Dua, completamente confortáveis e seguras de si mesmas, trocam diversas carícias. Devido a isso, o clipe foi banido em uma série de países, incluindo Arábia Saudita, Índia, África do Sul, China e Rússia. Além disso, o YouTube retirou milhares de visualizações do vídeo sem nenhum motivo aparente.

O próprio álbum como um todo também sofreu com boicotes. Alguns veículos de críticas especializadas ao avaliar o álbum tiveram uma conduta extremamente machista e passaram a discutir sobre as “polêmicas” que Miley já se envolveu ao invés de avaliar o álbum.

Vivemos em uma sociedade machista e preconceituosa. Sendo assim, artistas que não têm medo de serem quem são e de expressarem sua liberdade sofrem com represálias, críticas e ataques daqueles que possuem um pensamento antiquado e retrógrado. Nosso dever como consumidores de qualquer tipo de arte é apoiar artistas como Miley Cyrus, que fala e expressa o que muitos não têm coragem de fazer. Por mais artistas como Miley Cyrus, por favor! E por menos pensamentos vindouros do século retrasado!

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