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Esporte

Polyana Viana: o futuro no UFC, pandemia e dificuldades

Victória Alves

Publicado

A dama de ferro conta o sentimento sobre o rompimento de derrotas seguidas, além de falar sobre fake news que surgiram após sua defesa à tentativa de assalto

Foto: Acervo pessoal

Polyana Viana é uma lutadora de artes maciais mistas e compete no peso-palha feminino do Ultimate Fighting Championship (UFC). A paraense de 28 anos é natural de São Geraldo de Araguaia, município brasileiro com aproximadamente 25 mil habitantes, e atualmente reside em São Paulo.

Após uma sequência de três derrotas, a lutadora brasileira quebrou o jejum vencendo sua última luta, em 29 de agosto, com uma chave de braço em 1’53’’ de luta, diante da norte-americana Emily Whitmire. Polyana conversou com o Elo Jornal para falar sobre o sentimento em voltar a vencer. “Essa reviravolta foi muito significante para mim, mas também aprendi muito com as derrotas, entendi um pouco do que estava acontecendo na minha vida e agora me sinto mais capacitada”, conta.

Com a pandemia do novo coronavírus, várias restrições e recomendações foram dadas por órgãos de saúde nacional e mundialmente, fazendo com que milhares de pessoas se adaptassem a nova rotina na tentativa de diminuir as chances de contágio em massa. Durante os treinos, Polyana nos conta que, apesar da pandemia atrapalhar os treinos e a vida de muitas pessoas, ela sentiu que isso a provocou de maneira positiva na hora de subir ao octógono. A geminiana disse também em quem ela se espelhava no início de sua jornada no UFC. “Eu já me inspirei muito na Ronda no começo da minha carreira, mas no decorrer dela eu comecei a me inspirar em colegas de treino, de ver o dia a dia de todos e ver o quanto é difícil para todos, essas são as pessoas que eu me inspiro”, assegura.

Foto: Acervo pessoal

Há mais de um ano, Polyana foi surpreendida com uma situação recorrente no Brasil: a tentativa de assalto. E isso repercutiu em diversos portais do país. Questionamos se ela se arrepende da forma na qual reagiu a tentativa de assalto e se ela reagiria novamente. “Foi uma situação bem chata, né? Mas essa não é a primeira vez que acontece. Já aconteceu outras duas vezes, essa foi a terceira vez”, disse Polyana, e prossegue falando das consequências de sua reação “na época eu perdi muito patrocinador porque eles não queriam ver a imagem deles associado a violência e tal, porque eu bati muito, mas não, eu não bati, só me defendi. E eu acho que eu fiz o necessário, tanto é que eu imobilizei ele, se não eu poderia ter continuado batendo, coisa que eu não fiz, e sim, se acontecesse de novo com certeza – dependendo da situação, que o cara está sem arma – eu reagiria de novo”, afirma a atleta.

“Eu treino todos os dias. Sei manter a calma numa situação dessa e é o que sempre digo para as minhas amigas: treinem defesa pessoal porque um dia vocês vão precisar”, disse a lutadora. Logo, ela ainda explica que não está incentivando ninguém a reagir um assalto, mas afirma que de vez em quando é preciso “colocar os caras no lugar deles”.

A dama de ferro fala ainda de como nós, mulheres, nos tornamos sempre alvos de atitudes criminosas desse tipo. “Eles acham que, porque a gente é mulher, a gente vai se intimidar simplesmente por eles vim com um tom de voz mais alto, ou intimidando a gente de alguma maneira, então se a pessoa treinar, alguma coisa assim de defesa pessoal e souber manter a calma na hora com certeza isso vai diminuir”, enfatiza Polyana.

Ainda em 2019, surgiu uma Fake News afirmando que a paraense seria presa por excesso de violência contra o assaltante que ela imobilizou utilizando sua ferramenta de trabalho (as técnicas de artes marciais). “Então, quando viralizou essa notícia né, foi logo em seguida, na verdade viralizou a que eu tinha batido no ladrão, só que a que eu tinha sido presa viralizou mais ainda né, na época” E ela ainda fala do que ela sentiu com essa ‘notícia’ viral. “eu fiquei bem assim…com medo de verdade de ser presa, porque estava todo mundo compartilhando e tal  e eu acabei ficando com medo de, sei lá, algum político ou algum advogado tentar entrar com essa causa realmente, de tentar defender o ladrão, né”, desabafa a atleta.

Ainda sobre a Fake News, Polyana afirma que sua família foi a parte mais afetada. “Mas graças a Deus, deu tudo certo, foi só uma Fake News e a única coisa que prejudicou foi na minha família né, na época eu estava treinando quando surgiu, eu fui para a academia, quando vou para a academia eu passo o dia treinando, eles começaram a me ligar para saber se era verdade, e eu não pude atender porque eu estava treinando e aí todo mundo pensou que eu estava presa, mas foi só isso, depois expliquei o que tinha acontecido e que eu só estava treinando e ficou tudo de boa”, desabafa.

“Mesmo com três derrotas, eu não estava me sentindo tão desconfortável, eu sabia o que estava acontecendo comigo e o que estava acontecendo na minha vida e aí foi questão de tempo para consertar isso, eu acho que já consertei  e para mim agora tá tudo bem na minha vida”, diz. Para finalizar, Polyana acredita que as coisas irão correr bem. Apesar de 2020 ainda não ter finalizado, a atleta aparenta já ter um novo confronto para o ano que está por vir.  A dama de ferro deve lutar no UFC, em fevereiro de 2021, contra a norte-americana Mallory Martin, na categoria peso-palha. Para acompanhar a lutadora nas redes sociais, acesse aqui.

Surgimento do apelido “dama de ferro”

O apelido surgiu quando Polyana ainda lutava no Pará. “Meu apelido surgiu quando comecei a lutar lá no Pará e o Pedro, dono do site A Dama de Ferro divulgava as minhas lutas com frequência. Teve uma luta que até rolou selinho. Nessa luta, o Pedro divulgou muito e ela tomou certa proporção, daí começaram a me chamar de dama de ferro por causa desse site”, afirma Polyana.

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