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Sociedade

Máscaras de proteção: a nova tendência da moda

Elias Bernardo

Publicado

De item de proteção a um acessório do vestuário, as máscaras de tecido devem permanecer mesmo depois da pandemia

Máscaras de tecido ou cirúrgicas, com estampas ou sem, tornou-se necessário em nosso dia a dia, devido à pandemia da Covid-19. Sem elas, ao sair na rua, ficamos expostos e também não conseguimos entrar em lugares públicos. Há mais de seis meses, desde o início da pandemia, o Brasil e o mundo passou a respirar por debaixo das telas e das máscaras que cobrem o rosto e evitam uma maior exposição ao novo Coronavírus.  Então, por que não fazer do limão uma limonada e usar este item de proteção combinando com a roupa que será usada durante o dia?

O fato é que elas já eram utilizadas antes mesmo da pandemia e não apenas em ambientes hospitalares. Acredita-se que inicialmente o uso de máscaras era para fins religiosos ou teatrais. A partir do séc. XVII, elas foram inseridas no campo da saúde, em combate a peste negra. No Japão, por exemplo, o hábito de usar máscaras vem desde o início do século XX, como uma forma das pessoas se protegerem quando estão doentes e até mesmo servindo de barreira contra a poluição.

De acordo com a designer de moda e figurinista, Jéssica Cerejeira, 25, @jessica_cerejeira, existem registros históricos, que datam de 1603 a 1868, comprovando o uso das primeiras máscaras de proteção. Elas eram feitas de uma planta ou de papel e utilizadas para impedir que o mau hálito das pessoas fosse sentido por outras ao seu redor. Assim como as luvas, gorros e óculos de sol, que protegem contra o frio e o sol, as máscaras também têm uma função semelhante quanto ao vestuário das pessoas. “Recomendadas pela OMS como uma barreira de proteção contra a Covid-19, as máscaras são a nova onda do momento”, diz Jéssica.

A popularização e introdução de conteúdo de moda veio antes da pandemia do novo Coronavírus nos países orientais. A ideia, segundo Jessica, era tornar a máscara um produto mais atraente, com estampas, novas modelagens e cores da estação. No Brasil, depois que a máscara passou a ser obrigatória, com objetivo de prevenção ao vírus, não demorou muito para ver estampas de bolinhas ou até mesmo o quadriculado referente ao São João. “Não poderia ser diferente, pois o brasileiro tem um potencial criativo fora do comum e isso é ótimo, pois vários tipos de máscaras foram surgindo, adaptadas ergonomicamente para atender os usuários e para todos os tipos de gostos”, explica a designer.

Costureira há 30 anos, dona Gildete Azevedo (@arks_coreselinhas), 45, atualmente confecciona e vende máscaras de tecido para seu próprio sustento. Ela conta que a produção de máscaras começou em janeiro, pouco antes do início da pandemia. Em seguida, dona Gildete passou a produzir em maior quantidade para as pessoas de outras cidades do Rio Grande do Norte e, até mesmo, para fora do Estado. “No início eu cheguei a fabricar 2800 máscaras para uma empresa de jalecos no Rio de Janeiro, que as distribuiu nas periferias de lá”, afirma.

Gildete já produziu mais de 2.800 máscaras para um único cliente – Foto: Naryelle Keyse
Gildete confecciona os modelos de máscaras de proteção em casa – Foto: Naryelle Keyse

Após seis meses, a costureira continua confeccionando as máscaras, só que agora a procura é  mais baixa do que antes.

Com a venda de máscaras e outras confecções que realizou durante a pandemia, Gildete conseguiu faturar entre R$ 2000,00 e R$ 2500,00 por mês, no período de março a junho, totalizando aproximadamente R$ 10.000,00. Ela diz que as estampas mais procuradas são as de desenho animado, escudo de time de futebol ou temáticas para o dia das mães e dia dos pais. Além dessas, as brancas tradicionais são as mais pedidas por quem trabalha na área da saúde. “O pessoal tem procurado muito as peças com estampas para combinar com a roupa. A máscara se tornou um acessório que não pode faltar no dia a dia e, por isso, eu acredito que ainda irei continuar confeccionando elas por mais um ano”, relata Gildete.

E por falar em estampas, quem decidiu apostar nas máscaras com um estilo mais africano e mais colorido, foi o costureiro e estudante de Teatro na UFRN, Judson Andrade, 30, dono do ateliê Araka (@ateliearaka).

As referências usadas para confecção destas máscaras foram as cores do arco-íris, que faz alusão ao nome do ateliê. “Araka tem relação com o candomblé, o nome é em homenagem a um orixá chamado Oxumaré, ele é o arco íris que aparece no céu”, conta Judson. Segundo o costureiro, que realiza seu trabalho com outras peças há mais de três anos, como bolsas e saias de terreiro, a produção e venda das máscaras aumentou o interesse do público por outros produtos que ele costura. Ele afirma também que chegou a produzir mensalmente 250 peças do produto e mais 100 para doações.

Entre os tipos de máscaras confeccionadas pelo ateliê estão a cirúrgica e a bico de pato, também podem ser fabricados modelos exclusivos, conforme o cliente desejar. Quem tiver interesse em conferir o material feito por Judson, é só ir no perfil do Instagram @ateliêaraka.

Trabalhos como os de dona Gildete e o de Judson se multiplicaram em todo o mundo e devem ser valorizados, até porque eles e tantos outros costureiros precisaram se reinventar naquilo já exerciam. “É bacana também ver pequenos artesãos e costureiras trabalharem em suas casas, produzindo máscaras lindas para vender e algumas até produziram grandes quantidades para doação”, diz Jéssica Cerejeira. As possibilidades de se trabalhar com este item são tantas que, pensando em promover acessibilidade às pessoas surdas, algumas empresas até conseguiram confeccionar máscaras com transparência na região da boca.

As máscaras inclusivas produzidas na diocese de Santo André / Foto: Divulgação – Diocese de Santo André

A especialista acredita que esta também foi uma boa alternativa para incentivar o aproveitamento de insumos têxteis das fábricas de pequeno e médio porte, que encontraram, nos retalhos, uma nova fonte de renda neste período. “Algumas marcas perderam totalmente a noção da realidade, colocando preços abusivos nestes produtos. Marcas com este tipo de posicionamento têm passado vergonha, pois os consumidores estão atentos e têm usado as redes sociais para denunciar atitudes como essa”, explica Jéssica.[1] 

Embora o uso das máscaras tenha como utilidade a prevenção ao novo coronavírus, no mundo da moda a máscara ganha um novo significado, além de ser um estilo como acessório no look das pessoas. Dependendo da estampa ou imagem que foi projetada no tecido, existe ali uma mensagem, que possui algum significado ou que represente certa identificação para o usuário. “A moda é reflexo do nosso tempo, uma ferramenta importante que promove debates políticos e sociais e que precisa ser levada a sério, principalmente pelos profissionais que atuam nesse segmento”, afirma a designer de moda, Jéssica Cerejeira.

Veja as recomendações do Ministério da Saúde para fazer a sua máscara em casa:

  • Em primeiro lugar, é preciso dizer que a máscara é individual. Não pode ser dividida com ninguém, nem com mãe, filho, irmão, marido, esposa etc. Então, se a sua família é grande, saiba que cada um tem que ter a sua máscara;
  • A máscara pode ser usada até ficar úmida. Depois desse tempo, é preciso trocar. Então, o ideal é que cada pessoa tenha pelo menos duas máscaras de pano;
  • Mas atenção: a máscara serve de barreira física ao vírus. Por isso, é preciso que ela tenha pelo menos duas camadas de tecido, ou seja, dupla face;
  • Também é importante ter elásticos ou tiras para amarrar acima das orelhas e abaixo da nuca. Desse jeito, o pano estará sempre protegendo a boca e o nariz e não restarão espaços no rosto;
  • Use a máscara sempre que precisar sair de casa. Saia sempre com pelo menos uma reserva e leve uma sacola para guardar a máscara suja, quando precisar trocar;
  • Chegando em casa, lave as máscaras usadas com água sanitária. Deixe de molho por cerca de 30 minutos;
  • Para cumprir essa missão de proteção contra o novo Coronavírus, serve qualquer pedaço de tecido, vale desmanchar aquela camisa velha, calça antiga, cueca, cortina, o que for.

Fonte: Ministério da Saúde

Arte ilustrativa – Reprodução Internet

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