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Esporte

O problema não é apenas o Luxa

Pedro Henrique Brandão

Publicado

Em mais uma péssima partida do Brasileirão e dos clubes envolvidos, Bahia e Palmeiras empataram por 1 a 1

(Foto: Autor desconhecido)

É preciso certo esforço para fazer má campanha no Campeonato Brasileiro, que há alguns anos, não apresenta futebol em alto nível. Dos últimos campeões, o Flamengo 2019 é a exceção e entre os rebaixados há uma tradicional disputa por quem consegue ser pior e sempre ficam na série A, dois ou três que são nitidamente times de série B.

No entanto, o Brasileirão da pandemia conseguiu atualizar os padrões de futebol ruim no Brasil. Raros são os bons jogos — se é que aconteceu algum nessas seis primeiras rodadas — e são incontáveis os 0 a 0 com gols. Bahia e Palmeiras fizeram mais um desses jogos em que após o apito final é impossível não se sensibilizar com a bola pela tortura sofrida por mais de 90 minutos.

Vanderlei Luxemburgo manteve a formação tática que melhorou o time no clássico do último domingo, mas não pôde contar com Marcos Rocha e teve uma defesa que não havia jogado junta. Isso não comprometeu o desempenho e a dupla Luan/Gómez foi bem e Mayke conseguiu apoiar o ataque.

Com Patrick de Paula, Gabriel Menino, Bruno Henrique e Lucas Lima, novamente, Luxa usou o losango no meio-campo e priorizou a posse de bola com apenas dois homens na frente, Rony e William. Quando Lucas Lima não conseguia criar, Rony recuava para ajudar na construção das jogadas e Bigode permanecia como referência.

William Bigode foi outra aposta de mudança do treinador. Luxa mandou o camisa 29 a campo e deixou o incontestável Luiz Adriano no banco, mas o essencial jogador de outras temporadas parece estar passando por uma fase ruim e fez partida apagada.

Apesar da disposição tática, o jogo palmeirense não aconteceu na primeira etapa e junto ao apagado desempenho do Bahia, comandados de Luxemburgo e Roger Machado fizeram um dos piores 45 minutos de futebol no ano — registre-se, isso não é pouca coisa.

Pior que o primeiro tempo de Bahia e Palmeiras, somente a “iluminação” do Estádio de Pituaçu, que mais parece pensada para criar um clima romântico à meia luz e mal é possível ver o que se passa em campo — fica a dúvida se isso foi realmente tão ruim.

A expectativa era de que o segundo tempo fosse melhor. Não por alguma mudança ou tática diferente dos treinadores, mas porque era difícil que conseguissem fazer algo pior.

E assim foi. Uma leve melhora nos primeiros minutos da etapa final até que Luxa começou a modificar o time como tem feito usando as cinco substituições que são possíveis.

As mudanças surtiram efeito e apenas três minutos depois de entrar em campo, Zé Rafael anotou o gol que tirou o 0 do placar e colocou o Palmeiras na frente. A jogada passou pelo pé de outro jogador que acabara de entrar na partida, a assistência foi de Gustavo Scarpa. Luiz Adriano também entrou e deu mais corpo ao ataque.

Mesmo com a partida ruim, a vitória parcial dava ao Palmeiras o terceiro triunfo consecutivo e os importantes três pontos que levariam o Alviverde aos 11 na tabela de classificação, numa distância possível para alcançar os líderes.

A fragilidade do adversário possibilitava inclusive, que o visitante ampliasse o placar, mas não foi isso que aconteceu. Ao contrário, após o gol, o Palmeiras deu a certeza ao torcedor que a única coisa que tornou real o tento foi a famosa “Lei do Ex”. Sem ela, Zé Rafael, dono de péssimas partidas na temporada, jamais teria feito o, até então, gol redentor.

Quando tudo indicava para a vitória esquálida de futebol, numa bola alçada na área palmeirense, o goleiro Weverton, que tem muito crédito na casa, decidiu sair e atabalhoado falhou de maneira bisonha. Na sobra, Marco Antônio decretou o empate aos 49 minutos do segundo tempo.

O Palmeiras começa executar a receita da má campanha com todos os ingredientes à mesa: um treinador que tenta o que está a seu alcance, mas é claramente ultrapassado, um elenco soberbo e preguiçoso que pensa ter o poder de vencer a qualquer instante e falhas individuais em momentos cruciais.

Empates como o da noite deste sábado colocam o Palmeiras cumprindo a rigor o roteiro de time coadjuvante. Ainda assim, o time de Luxemburgo, que não é o único culpado, segue invicto na competição — cinco jogos, três empates e apenas duas vitórias — , manteve um tabu de oito anos sem derrotas para o Bahia e terá pela frente o líder do campeonato.

Se ainda quiser disputar a taça, vai precisar jogar melhor e vencer o Internacional para encostar na pontuação e poder usar o jogo a menos que ainda tem por fazer.

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