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Esporte

Entrevista com Cacau, ex-jogador brasileiro naturalizado alemão

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Foto: PH Dias

Todos os anos, empresários alemães e brasileiros se reúnem para firmar acordos comerciais entre os países, debater formas conjuntas de desenvolvimento e discutir o futuro comercial de ambas as nações. Esse evento é conhecido como EEBA (Encontro Econômico Brasil-Alemanha), realizado anualmente, intercalando a sede do encontro entre cidades brasileiras e germânicas.

O EEBA 2019 aconteceu na cidade de Natal e eu estava cobrindo o evento sediado no Centro de Convenções da capital potiguar. Depois de fazer minha pauta sobre economia, resolvi puxar papo com um empresário alemão — que mora no Brasil há algum tempo — sobre futebol. Aliás, assunto universal, independente de país, credo e gênero. Minha ideia era tentar entender a visão alemã para o esporte praticado no país europeu.

Evitei fazer a aproximação na base da “alegria nas pernas” e mantive a defensiva para evitar outro 7 a 1. A comunicação deu certo, o empresário comentou sobre o time que torcia, o Eintracht Frankfurt, e como a modalidade ajudou a desenvolver a cidade de Frankfurt.

Depois desse rápido intercâmbio de experiências, ele comentou: “Olha, o jogador Cacau está aqui, por que você não fala com ele?”. Sim, o brasileiro naturalizado alemão que jogou uma Copa do Mundo defendendo a seleção alemã, em 2010, e ainda marcou um gol — na goleada por 4 a 0 sobre a Austrália — na estreia do torneio. O ex-jogador fazia parte da comissão de empresários alemães que visitava a Cidade do Sol.

Logo pensei que poderia render uma ótima pauta e as perguntas começaram a surgir na cabeça. Como o seu futebol foi determinante para essa nova fase de vida?; Por que os jogadores brasileiros não conseguem aproveitar essas oportunidades?; Depois de escrever a matéria sobre economia, dei a sugestão para a editora. Ela liberou. Só faltava abordá-lo para a entrevista.

Cacau estava quieto ao lado do stand de uma renomada farmacêutica alemã, então puxei assunto e expliquei a pauta. Para minha surpresa, o ex-jogador aceitou na hora. O resultado você confere a seguir, na entrevista com Claudemir Jerônimo Barreto, o Cacau.

Foto: PH Dias

P: Atualmente, quais são suas atividades na Alemanha?

Então, hoje, na verdade, eu trabalho com um grupo de empresários. Nós estamos fazendo alguns projetos juntos e, inclusive, um desses, tem contato com empresas da Alemanha que investem em energia solar. E esse evento é uma boa oportunidade para fazer contatos e conhecer pessoas que possam ter a necessidade ou querer investir nessa área. Esse é o principal motivo da minha visita.

P: Então, você serve de interlocutor dessas empresas alemãs com os brasileiros?

Isso, inclusive, eu sempre penso que a Alemanha tem muitas coisas a oferecer para o Brasil, principalmente, na parte de tecnologia. O país tem um campo fértil para receber essas inovações, uma base e estrutura que está sendo colocada com as reformas, que geram um campo atrativo para investimentos alemães.

P: Quando você começou a empreender?

Olha, há dois anos que eu estou me envolvendo mais nesse mercado.

P: É comum que se use no meio corporativo expressões do esporte como resultados, time, liderança. Quais são as semelhanças ou diferenças entre esses meios que você conheceu? Você considera o mundo dos negócios mais complicado do que o futebol?

É diferente, na verdade as várias coisas que aprendi no esporte, na minha realidade como jogador, uso aqui também. Nesse mercado, é uma coisa mais a longo prazo. Então, tem que se preparar, fazer projetos, contatos, apresentar, ou seja, algo que demora mais. No esporte, no futebol especificamente, o resultado é mais imediato.

P: Quais perspectivas do Brasil no campo tecnológico?

Eu vejo o Brasil com um potencial enorme hoje. A Alemanha investe muito em energia solar, e eles conseguem tirar do potencial deles apenas cinquenta por cento (por conta do clima), os outros cinquenta são complicados por conta do inverno, não há incidência solar, e aqui, principalmente, no Nordeste, tem incidência maior. Eu estava vendo que o Rio Grande do Norte tem trezentos dias de sol no ano. Então, você tem um potencial muito grande e precisa investir não só na tecnologia como também nas usinas e infraestrutura para que possa incentivar esse tipo de energia renovável. E eu vejo com bons olhos a importância do Brasil para esse meio.

P: Qual a importância desse intercâmbio cultural entre Brasil e Alemanha?

O Brasil é um dos principais parceiros da Alemanha, na parte de indústria. Então, eu vejo de uma importância muito grande. Até porque no setor, o país tem feitos parcerias com o Oriente Médio, China, Estados Unidos e Europa. A Alemanha tem muito a ganhar. Essa troca de informação e experiência, eu vejo com muitos bons olhos.

P: Quais conselhos você daria para os jogadores de futebol que queiram seguir para pelo caminho do empreendedorismo?

Aproveitar a carreira, já que é bastante curta, e conseguir fazer o maior número de contatos que possa ter durante o período ou mesmo depois. Cada contato pode ser útil após a aposentadoria dos gramados. Então é importante conhecer pessoas, guardar os números e manter essa rede ativa para que possa ter bons resultados.

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