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Educação

Depois da UFRN, Ufersa e UERN caminham para adotar ensino remoto

Universidades da região oeste discutem volta às aulas para este mês

Valcidney Soares

Publicado

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) decidiu suspender as aulas presenciais, em 15 de março de 2020, devido à pandemia da Covid-19. Naquele momento, faltavam cerca de 2 semanas para que a universidade concluísse o semestre 2019.2 e pudesse em breve, enfim, regular novamente o calendário acadêmico, já atrasado por conta de greves em anos anteriores. “Trabalhamos muito para regularizar nosso calendário e estávamos conseguindo. A pandemia chegou e pegou todo mundo de surpresa”, diz Cicília Maia, chefe de gabinete da Reitoria da UERN.

Uern tem campi central em Mossoró e forma cerca de 90% dos professores da rede básica do interior, segundo levantamento. | Foto: Agência de Comunicação UERN

Como saída para iniciar as férias, a solução foi concluir os últimos dias por meio de atividades on-line. Desde então, são quase cinco meses sem aulas para os alunos dos cursos de graduação, cerca de 9 mil estudantes espalhados em seis campi pelo estado. Agora, a universidade estuda a possibilidade de retomar o semestre 2020.1, no formato remoto, ainda em agosto. A proposta feita pela Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg) deve ser deliberada nesta semana pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da instituição, podendo ainda receber alterações. A universidade lançou também um edital para concessão de tablets e internet para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Em nota, entretanto, o Diretório de Central dos Estudantes (DCE) da UERN rechaçou a proposta de semestre regular obrigatório, classificando como “semestre de troia”.

Na Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), a situação é semelhante. A instituição formou uma comissão para discutir a volta às aulas em formato remoto e, caso seja aprovada, deve retomar o semestre 2020.1 em 31 de agosto. Para Erimar Santos, pró-reitor adjunto de Graduação, a suspensão das atividades acadêmicas é preocupante. “Primeiro porque provoca uma evasão de discentes, e a gente teme isso acontecer”, afirma. Além disso, segundo o professor, outra preocupação é referente ao financiamento da instituição. Erimar afirma que o orçamento da universidade depende do número de alunos ativos. Assim, menos alunos significa menos dinheiro na conta.

Entretanto, dar continuidade às aulas presencialmente está fora de questão. “A gente entende que não retomar vai complexificar cada vez mais os problemas anteriores. Já retomar presencialmente é totalmente inviável e não passa pela gestão em nenhum momento”, argumenta. “Então nos resta a terceira possibilidade que é fazer um planejamento para diminuir os estragos decorrentes da pandemia em função do planejamento e da criação de possibilidade do retorno do semestre 2020.1 no formato remoto”, conclui Erimar.

“Sem a inclusão digital não se tem como fazer o trabalho remoto, e muito menos os processos de ensino e aprendizagem”, diz Erimar Santos. | Foto: Assecom/Ufersa

Antes disso, a Ufersa já havia instituído um semestre suplementar e não obrigatório para alunos e professores, que teve “adesão significativa” de acordo com o pró-reitor.

A estudante Ana Flávia Lira, coordenadora geral do DCE Romana Barros – que representa os alunos da Ufersa –, criticou. “A proposta foi bastante atropelada e nós fomos contrários porque ela sequer pensava em auxílio digital para os estudantes”, diz. Ela também diz que “o professor que optasse por ofertar sua disciplina e precarizar o seu trabalho, ofertaria. O estudante que optasse por precarizar o seu ensino e que tivesse condições de escolha, iria puder adiantar suas disciplinas”, enfatiza Ana.

Sobre a posição da agremiação quanto ao semestre remoto obrigatório, Lira diz que o DCE ainda não tem posição fechada. “A gente conseguiu incidir bem para redução de danos na proposta e muito provavelmente vamos votar contra na proposta final, mas é algo que estamos discutindo nas assembleias de curso”, afirma.

Entre as conquistas da “redução de danos” citada por ela, está o aumento no número de beneficiados pelo auxílio inclusão digital. “A Reitoria lançou a proposta do auxílio digital de 1200 reais, mas inicialmente ia abarcar pouco mais de mil estudantes. Mas a gente fez o debate de que mil estudantes são 9% do total de estudantes da Ufersa. Segundo o IBGE, 20% da população brasileira não tem acesso à internet e na zona rural isso cresce para cerca de 53%”, exemplifica. “Então quando você coloca 9% em comparação com 20% e 53%, não é quase nada. E aí a gente conseguiu o aumento para mais de 3 mil estudantes que serão beneficiados”, comemora.

UFRN anunciou período letivo remoto e obrigatório em julho. | Foto: Cícero Oliveira

Dentre as três universidades públicas do estado, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi a única até o momento a bater o martelo sobre o retorno das aulas remotas. A instituição, assim como a Ufersa, realizou um semestre suplementar optativo, e agora parte para as aulas obrigatórias. O início está previsto para 24 de agosto. No passo das “irmãs”, a UFRN lançou também um edital de auxílio para compra de aparelhos. O valor mínimo anunciado inicialmente era de 600 reais. Agora, será ajustado para 850 reais para todos os estudantes, informou o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Edmilson Lopes.

Mas, para o 1º coordenador geral do DCE da UFRN, a universidade ainda tem capacidade de ofertar uma quantia maior. Marcos Adriano afirma que o valor inicial pedido pela entidade havia sido de mil reais, ante os 600 oferecidos pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAE). Depois, conseguiram o teto de 850, que agora se torna fixo. “Isso mostra como a gente estava certo e como era possível ser um valor maior. Mas a gente acha que ainda é possível ser mil reais, dado o orçamento que foi separado para o auxílio instrumental”, explica.

O dirigente afirma que o movimento estudantil vai continuar pressionando. “Sabendo que a UFRN tem condição de oferecer um valor maior de auxílio, como outras universidades estão fazendo, nossa reivindicação vai ser nesse sentido, para que de fato ninguém fique para trás”, conclui.

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