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#DEScancelados

#DEScancelados: Thelma Assis é resistência!

Victória Alves

Publicado

Foto: Reprodução/Twitter

A médica anestesista e ex-BBB, Thelma Assis, 35, foi e é resistência em meio a tantas turbulências que envolve a “opinião pública” e as redes sociais. Acontece que os linchamentos virtuais que rondam cada timeline existente de plataformas digitais como twitter, tornam cada vez mais frequentes os ataques e propagação de ódio gratuito em cima de personalidades que de alguma forma está ativo diante dos olhos da população, sendo um digital influencer, um youtuber, blogger, ou até participante de algum reality show. O cyberbullying que acomete essas pessoas que estão dando a cara a tapa é significativo, o intuito no qual os internautas os expõem e os ridicularizam pelos seus erros ou frases mal interpretadas não é uma espécie de crítica construtiva, é apenas degradante, com finalidade punitivista. 

A mulher preta que vos apresentamos não é nada menos do que uma representante da mulher, e acima de tudo, do movimento de pessoas racializadas. Sua vitória no Big Brother Brasil é muito significativa, ainda mais quando lutamos por respeito pelo que somos e nada menos e nem nada mais que isso. Nossa cor não tem cor de respeito? É difícil ter que falar de cancelamento e linchamento virtual quando se trata da Thelma, logo ela que foi cancelada por fazer amizades com mulheres brancas e sua família ter que ler comentários do tipo “ela está lá para servir as brancas” e “fada senzala” ou até ter que lidar com o ódio mascarado de opinião como “mulher negra que é apenas uma mucama e que abandonou a senzala para escolher a casa grande” de internautas, que sem nenhum compromisso com seus próprios ideais, fazem e fizeram comentários de cunho racista e de muito desrespeito. Exemplo disso é que os administradores dos perfis oficiais da Thelma tiveram que lidar com centenas de críticas e ofensas criminosas enquanto a passista ainda estava confinada.

Thelma venceu a maior prova de resistência dessa edição, é “inimiga do fim” e soube aproveitar cada situação dentro do programa, chegando assim, a representar o grupo ‘Pipoca’ na final, sendo ela a grande campeã, deixando Rafa Kalimann em segundo e Manu Gavassi em terceiro lugar. 

Em meio a tantos protestos de #BlackLivesMatter e #VidasNegrasImportam, nos Estados Unidos e Brasil, consecutivamente, devido ao ataque policial sobre as vidas pretas e faveladas assassinadas por puro preconceito. Temos também que lidar com o ódio diariamente nas redes sociais, sobretudo para com pessoas que estão em evidência. Thelminha nova contratada da Globo, compõe agora o ‘É de Casa’, programa que vai ao ar nas manhãs de sábado. Ainda em meio ao prestígio de sua vitória e sua contratação na maior emissora televisiva do país, a paulista continua sofrendo ataques em suas redes sociais, mesmo após o fim do programa, o caso mais extremo ocorreu em uma live junto à Glamour Brasil, que possuía uma jornalista também negra conduzindo a entrevista online, o ataque ficou explícito, com isso, houve a necessidade de se desativar os comentários criminosos para não mais constranger nenhuma das duas mulheres que já estavam claramente desconfortáveis. 

Thelma conta agora com mais de 6 milhões de seguidores no Instagram e se aproxima de 1 milhão de seguidores no Twitter, com essa força nas redes sociais, ela está representando muito bem a negritude e mostrando que mulher racializada pode sim ser tudo o que ela quiser. 

Na imagem, Thelma comemora seus 6 milhões de seguidores. Foto: Reprodução/Instagram 

É deveras triste ter que ‘descancelar’ alguém que moralmente não errou, e que só sofreu ataques na internet por dois motivos, ser mulher; ser preta. Mas felizmente, Thelma é resistência. E com sua voz, ela ainda há de calar todo o preconceito que tenta lhe diminuir, e fazer com que judicialmente as “opiniões” criminosas sejam julgadas perante a lei. Calando o preconceito, e dando força ao movimento, de que vidas negras importam, merecem respeito, merecem ter suas vozes ouvidas e serem apoiados. 

A série de artigos #DEScancelados promove a visibilidade das boas ações e qualidades de personalidades que – com a nova cultura de cancelamento – estão sofrendo linchamentos virtuais sem propósito de crescimento pessoal, reparação e desconstrução dos seus atos, gestos e falas. 

O Elo Jornal não compactua com a propagação de ódio gratuito. Perpetuar a ação odiosa através da cultura do linchamento virtual causa apenas danos, fere o psicológico de qualquer pessoa que possa se sentir ofendida e não tem intuito de criticar de maneira construtiva, o que é ainda mais danoso. 

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