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Esporte

Empate emocionante no Dérbi dos acréscimos

Pedro Henrique Brandão

Publicado

Apesar de jogar melhor no Pacaembu, com direito a pênalti desperdiçado, o Palmeiras sofreu um gol aos 46 minutos do segundo tempo e tudo se encaminhava para um trágico resultado que praticamente encerraria o campeonato. Porém, dois minutos depois, Bruno Henrique conseguiu empatar e momentaneamente diminuiu a distância para o líder

(Foto: Cesar Greco / SE Palmeiras)

Quanta diferença entre o Corinthians que foi goleado no último domingo, no Maracanã, pelo Flamengo e esse que resistiu durante 90 minutos frente ao Palmeiras e arrancou o empate no Dérbi disputado no Pacaembu, na noite desse sábado.

Definitivamente, o Corinthians de Coelho não é nem de longe covarde como era o de Carille. Não há qualidade como não havia com o antigo treinador, mas existe vontade de atacar o adversário e, principalmente, o clima ruim entre jogadores e comissão técnica deixou de existir.

Mais leve nos bastidores, o Alvinegro chegou ao Pacaembu sem a obrigação de vencer o clássico, mas com vontade de atrapalhar o rival na perseguição ao líder. Se existe o dever de ganhar um Dérbi, esse dever era do Palmeiras, justamente pela distância para o Flamengo, que poderia aumentar, em caso de derrota para o arquirrival.

Mesmo assim, o Corinthians foi quem dominou o início da partida. Nos primeiros 20 minutos, o time de Mano Menezes foi dominado pela equipe de Dyego Coelho.

É bom lembrar que Mano poupou boa parte dos titulares no jogo da última quarta-feira, frente ao Vasco, para ter o time descansado no clássico.

Apesar de descansado, o Palmeiras foi menos intenso fisicamente que o Corinthians, que dominou o início na disposição física e não na técnica ou tática.

Os dois treinadores, aliás, protagonizaram um reencontro entre desafetos. Em 2008, Coelho era lateral no Corinthians e depois de brigar com o zagueiro Chicão, foi afastado do elenco por Mano.

Depois dos primeiros momentos de domínio, o Corinthians cedeu espaços e sem criatividade de parte a parte, a única chance real de abertura do placar no primeiro tempo foi do Palmeiras, em contra-ataque puxado por Dudu e finalização para fora de Gustavo Scarpa.

Na etapa final, o time de Mano Menezes conseguiu dominar o jogo e contou com o recuo do adversário para massacrar o rival, ao menos no número de finalizações — foram 21 chutes dos alviverdes ao gol, contra apenas 7 dos alvinegros.

Toda a pressão Alviverde, porém, esbarrou na ótima atuação de Walter, que fez duas grandes defesas, e na falta de competência de Deyverson, que em mais uma noite tenebrosa deu lugar ao criticado Borja. Outro que entrou foi Willian, um pedido da torcida que foi prontamente atendido por Mano.

Quando o relógio apontou 15 minutos para o apito final, apareceu a grande chance do Palmeiras no jogo: depois da recomendação de revisão pelo VAR, o árbitro Vinícius Dias Araújo assinalou, corretamente, pênalti, depois de um toque de mão de Manoel num cabeceio de Thiago Santos.

Gustavo Scarpa, o homem das bolas paradas no Palmeiras, foi encarregado da cobrança, mas Walter confirmou sua noite iluminada e parou o forte chute do camisa 14. Depois de perder a chance de abrir o placar, Scarpa foi substituído por Carlos Eduardo, que fez mais uma exibição de Carlos Eduardo, ou seja, não fez a menor diferença em campo.

O empate sem gols persistiu, mesmo com a produção ofensiva do vice-líder, que buscava a vitória para continuar a perseguição ao líder. Com certeza, o Dérbi do Pacaembu era o programa desse sábado na Gávea e o empate embalava a noite flamenguista.

Porém, nos últimos instantes, a partida tomou contornos dramáticos com a quase realidade do gol palmeirense em pelo menos três oportunidades, nos cinco 5 minutos finais do tempo regulamentar. Um bombardeio com direito a bola na trave de Bruno Henrique e duas chances claras desperdiçadas por Borja.

Tudo isso criado a partir dos esforços de Dudu, que mais uma vez foi o melhor palmeirense em campo e deixou clara a dependência do time de suas boas atuações.

Quando tudo parecia se encaminhar para o 0 a 0 no apito final, o árbitro acrescentou mais 7 minutos em função da paralisação do VAR, e toda a emoção do Dérbi ficou concentrada nos acréscimos.

Michel dominou uma bola pela ponta direita, aos 46 minutos e disparou uma bomba no ângulo, sem chance para Weverton. 1 a 0 para o Corinthians e a desastrosa rodada se desenhava para o Palmeiras.

O baque tomou conta da torcida que compareceu em bom número ao Pacaembu. Os 36.290 presentes estavam cabisbaixos desde o pênalti perdido e com o gol praticamente calaram diante da pá de cal jogada logo pelo arquirrival na já ilusória disputa pelo título. O mesmo rival centenário que foi goleado pelo líder no último domingo, agora, roubava os preciosos pontos que poderiam manter aceso o último objetivo do ano.

No minuto seguinte, mesmo sob o vácuo silencioso do velho Paulo Machado de Carvalho, numa bola aérea que sobrou dentro da área corintiana, o Palmeiras chegou ao empate com Bruno Henrique e ao apito final, viu a diferença cair de 8 para 7 pontos, até que o Flamengo se apresente em mais um concerto na tarde de amanhã, diante do Bahia, no Maracanã.

Não foi o desempenho esperado pelo lado palmeirense e nem o resultado pretendido por ambos os times. Apesar de emocionante, o empate deixa Corinthians e Palmeiras mais distantes de seus objetivos — vaga na Libertadores e título, respectivamente — mas deixa os arquirrivais cada vez mais empatados na história do Dérbi, que agora conta exatas 127 vitórias para cada lado e 107 empates, em 361 clássicos, desde 1917.

(Foto: Mauro Horita / Gazeta Press)

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