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Sociedade

Diversidade: O que é assexualidade?

Victória Alves

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  • A assexualidade é uma orientação sexual e romântica, onde assexual é o indivíduo que não sente atração sexual ou sente em situações bastante raras, específicas ou estritas

Por Victória Z. Alves

A conscientização e abordagem sobre a assexualidade nada mais é do que a tentativa de ultrapassar as barreiras do desconhecido sobre essa orientação sexual e romântica relativamente nova e pouco abordada em nosso cotidiano. No mês de outubro, existe uma semana voltada para a discussão da visibilidade assexual. A celebração, que ocorre geralmente na penúltima semana de outubro, foi criada nos Estados Unidos em 2011 e é celebrada até hoje em diversos países, saindo para além do espaço que foi geograficamente imaginado e pautado. Neste ano, a semana da visibilidade assexual acontece entre os dias 20 e 26 de outubro. Estima-se que por volta de 1% da população mundial seja assexual, isso condiz com mais de 75 milhões de pessoas.

É uma questão muito frequente tentar entender todas as letrinhas que se encontram na sigla LGBTQIA+. A assexualidade está inserida na comunidade, mas ainda existe certo receio por parte de alguns assexuais em se definirem parte da sigla, por medo de ser invalidado e excluído do movimento, ou simplesmente não se sentirem abraçados. Existe um motivo para participarem da comunidade, o que ocorre é que a finalidade da ‘sopa de letrinhas’ é uma espécie de reunião e aceitação dos grupos invisibilizados e marginalizados que se encontram fora da normatividade social. Sendo assim, a representação é algo fundamental para que assim, todos se sintam livres e assegurados da maneira em que se sintam confortáveis de ser e finalmente felizes em se autoconhecer.

A assexualidade é um espectro que abarca diversas nuances e orientações. Os assexuais podem ser classificados em dois: assexuais românticos e assexuais arromânticos. Alguns assexuais experimentam atração romântica, são os denominados assexuais românticos; outros, que nunca experimentam atração romântica ou a experimentam raramente e/ou em condições mais específicas, estes são os denominados assexuais arromânticos. Há uma gama de variedade dentro do espectro assexual, dentro da comunidade assexual temos: assexuais estritos, gray-assexuais, demissexuais; (orientações sexuais); e também arromânticos estritos, lithorromânticos, gray-arromânticos, demirromânticos, heteromânticos, homorromânticos e birromânticos (orientações românticas), entre outras.

A pessoa assexual é muitas vezes confundida com alguém que adere ao celibato ou se abstém da prática sexual por motivos religiosos, mas não significa isso, assexuais podem fazer e gostar das práticas sexuais, apesar de não sentir atração sexual comumente, mas ainda assim, pode haver o desejo sexual. Atração sexual é voltada para alguém/algo específico, já o desejo sexual refere-se a uma questão mais fisiológica, por isso é parcialmente errado associar a assexualidade ao sexo ou a falta dele, tendo em vista que existem diversos fatores que vão lidar de formas diferentes com o sexo dentro da assexualidade.

Para Bárbara Barbalho, de 31 anos, a descoberta sobre sua assexualidade gerou alívio para si.

Depois de passar muitos anos sem ter interesse em ninguém, ela chegou a questionar se era lésbica, ou o que ela poderia ser. Após pesquisas dez anos atrás, descobriu-se assexual.

Bárbara nos conta que já namorou durante alguns anos, mas nos conta também que nunca se interessou por relações sexuais, nunca foi forçada a fazer, mas com o tempo decidiu procurar “o motivo” da falta de interesse, foi quando finalmente descobriu que não era um problema, –mas na época foi o que ela pensou– era apenas como ela era. Ela não mudaria o seu jeito de ser se pudesse, mas também não se limita a rótulos, se um dia se interessar por alguém dessa forma, ela não irá se privar, ela nos garante.

Com hobbie de jogar videogame, Bárbara segue sua vida normalmente como qualquer outra pessoa. Diz também que as pessoas costumam associar pessoas assexuais a pessoas que não gostam de comportamentos sexuais, ou qualquer coisa ligada ao sexo. Ser assexual não a limita de poder ou não ler contos eróticos, por exemplo, a assexualidade é um espectro que não está inteiramente associado ao sexo, mas sim, a orientação sexual e romântica de um indivíduo.

Questionada sobre os efeitos causados sobre a leitura erótica, ela afirma: “a leitura não me faz ter interesse de tocar outra pessoa, é uma espécie de ‘voyeur’, por exemplo”, e prossegue: “se eu não tenho a vontade de fazer algo, como é que aquilo vai ser bom?” ela conclui.

A assexualidade para a nossa amante de jogos não é algo com que possa a limitar, pois é algo sobre ela aceitar ela mesma e suas vontades, e se não há vontade, não há problema também, mas se caso ela tenha desejo de fazer, ela o fará, pois como falou desde o início da nossa entrevista, a assexualidade não a limita e não é algo “fechado”. Quando entramos no assunto desconforto, ela diz que de certa forma é desconfortável sim, pois já a perguntaram se ela queria ir ao psicólogo, por isso não ser considerado “normal”, e sim ser um “problema”, ela considera isso chato, mas diz que aprendeu a lidar, já que ela já se conhece.

Muitas pessoas associam a assexualidade com celibato ou até traumas vividos pelos assexuais, mas isso é desconstruído nas palavras de Bárbara: “Trauma? Nenhum” e prossegue, dizendo que se ela não se relaciona, é por não se interessar por ninguém, deixando claro que não tem a ver com celibato, e sim com vontades pessoais.

Conclui dizendo que apesar de lidar normalmente com isso no cotidiano, por ser algo dela e que faz parte do que ela é, nossa protagonista da vez fala que, na verdade, foi um pouco difícil para a mãe entender no início, por ela ter medo do que as pessoas iriam pensar e sobre qual seria a orientação dela realmente, se iria contra a religião, etc.

A assexualidade é discutida geralmente? Não, e o que isso causa? Alguns equívocos e preconceitos sobre essa orientação sexual e romântica, Bárbara conta que dez anos atrás era muito escasso o estudo sobre assexualidade, que só conseguiu se identificar assim depois de ler um artigo que encontrou em inglês, mas que não conhece as ramificações dentro da assexualidade ou nem tampouco da existência da comunidade assexual, além de ficar sabendo da semana voltada para a discussão da visibilidade assexual apenas durante a entrevista concedida. Devemos pautar a assexualidade.

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